Bipianas #2

Ironia.

Num domingos desses de samba no bip, aconteceu o seguinte. Em geral temos sempre mais cordas do que couros. Mas nesse dia a turma da percursão apareceu reforçada e o samba corria ainda mais bonito. Em determinado momento alguém puxou a maravilhosa Ilu Ayê, samba-enredo-exaltação-black-is-beautiful da Portela de 72.

Negro diz tudo, que pode dizer….

é samba, é batuque é reza, é dança, é ladainha

negro joga capoeira e faz louvação à rainha…

Negro é sensacional

é toda a festa de um povo é dona do carnaval”…

A coisa contagiou e os batuques foram assombrando. Forças ocultas se assomavam a alegria banal, gritos de hoje, gemidos de outro tempo. Um alumbramento se apossou de todos ali presentes. Conversões, absurdos e transmutações se avizinhavam ao momento… O pandeiro, o surdo e os demais  acompanhando/mandando no ritmo da alma.

Nisso, um branco com jeito de europeu, vira para os percurssionistas, a maioria de negros, e os manda diminuir o ritmo e tocar mais lentamente. Logo nessa música, meu deus. Logo nesse momento lindo de desvario. Ah, esse senhor que manda no feudo, no engenho ou só num samba em copacabana.

Os chicotes, sempre eles…

Agora vêm embutidos nas palavras.

Publicado em: às 11/12/2011 em 22:50  Deixe um comentário  

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