Ainda nas ruminescrências…

Confesso que ando digerindo lentamente essa nova empreitada masturbo-virtual delirante. (“É um verdadeiro crime um homem ficar dentro de uma sala escrevendo, sob a luz artificial, quando lá fora a tarde ainda está clara e há mulheres andando. É aflitivo pensar que a vida está correndo e nós estamos aqui conversando”R. Braga)

Talquale coxinha de boteco que se manda pra dentro em hora de aflicão estomacal, algumas coisas na minha vida ficam voltando e indo num movimento sucessivo nada erótico. E quando falo disso que é novo, rumino de fato as coisas velhas. A vida que tinha razão durou cerca de 3 anos. Anos belos. Confesso que não tenho saudade nenhuma de infância ou adolescência. Com uma consciência doída, sei que sentirei saudades eternas dos dezenovinte anos. Nunca mais se será tão à toa com cerva e mulé nessa vida. Mesmo que sempre com mais cerva do que mulher. E era dessa combinacão que vinha o gás do blog. Ir para a noite, beber, papear com amigos, ouvir um samba, e aí se colocar num canto, tentando olhares cheios de códigos secretos para uma paixão que fulminaria a solidão de uma vez por todas (ainda que com outra de sobreaviso) e (quase) sempre voltar só. Repetindo ad infinitum a sentenca anterior. Chegava em casa bebado e só, sentava no computador e aí delirava as dores de amores.

Do livro das filosofias de boteco – TOMO: TODAS / LIVRO 1

Algumas coisas aparecem na nossa vida e adquirem um sentido impreciso de alegria eterna, uma potência de transformar tudo que é triste, que pesa e nos amarra em beleza e esperanca de que as coisas todas e quaisquer tem jeito. Acaba a fome, a burrice, a violência, a Suzana Vieira e a Ana Maria Braga. E as vezes são coisas tolas, simples e banais. Contingentes e singulares. Sei que to parecendo pilantrópologo pós-moderno apelando pro efêmero da vida. Mas não é bem isso. Falo das coisas breves que aparecem e dão sustentacão pra se ir levando. Quando tocava violão, a música “Desde que o samba é samba” mantinha a esperanca de que sim, eu conseguiria depois de amanhà superar o Baden. Os acordes diminutos e sustenidos na quinta com sétima aumentada eram tracados com leveza, numa batida certeira.

Como é bela a cena de Linha de Passe, do Walter Salles e Daniela Thomas, na qual a mãe chega em casa e se volta para a pia esperando encontrá-la entupida, suja, como sempre, e a encontra limpa. A cena, por mais besta que seja, já que todos os problemas concretos e reais permanecem transmite essa sensacao de esperanca plena e necessária. OK, é verdade que aqui, traio meu marxismo de cabeceira.

Foi assim que la nos idos, de 2005, na vidatemsemprearazao que recebi os comentários secretos de uma moca que nunca soube quem é. Ela apareceu e falou coisas bonitas, brincou de esconder, ainda que mostrasse um pouco, bem pouco e se foi. Confesso que gostei muito da brincadeira. E depois que ela se foi, ficou o jogo.

Importante é manter o mistério sobre as coisas bonitas. Para mim o bonito da infancia é a imagem de que há sempre portas escondendo coisas secretas. Sabe? Você imagina que ali atrás daquela porta se esconde um segredo bonito. Ccomo naquele conto dos velhinhos no asilo, no qual um, sentado perto da janela, narra ao outro, imobilizado do outro lado do quarto, idílicas aventuras que acontecem na vida, na rua lá fora. Quando o da janela morre, o outro então descobre que fora do asilo só havia um beco sujo.

Acreditar que para além dos nossos becos sujos haverá algo belo. Enfiar os amigos na história e partir. Viver aqui sabendo que a porta que esconde um segredo continuará fechada, restando a voce imaginar o que haverá do outro lado, aguardando o dia de crescer e poder, enfim abri-la. E aí simplesmente não crescer.

É para isso, meu caro, que temos o carnaval. E não para fazer merda e sair correndo.

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Published in: on 17/12/2008 at 20:52  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. humm…

  2. gostei viu pros! bunito!

    bjocas

  3. Valeu Jula…
    espero continuarmos encontrando por aqui e no mundo real tb..bjo


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