Um ser de Luz…

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Vai em paz meu grande amigo. Nós por aqui, mesmo com o coração apertado, a voz soluçada e os olhos inchados, fracos, lembraremos sempre com força de tudo aquilo que você deixou para gente, a empolgação e alegria, o carinho infinito, as  palavras puras e sinceras que enchiam a alma de cada um e de todos nos momentos difíceis. Buscaremos guardar tudo aquilo que vivemos com você nesses doces anos, e que sentimos nos abraços desolados, mas calorosos, com todas essas pessoas que te amaram tanto, nesse triste dia, quando a única coisa que queríamos era te ver e ouvir. Rir, como sempre rimos ou sorrimos, quando você ia dançar uma chicken dance, pessimamente imitar o silvio santos, ou se debruçar longamente, com atenção e zelo por meses e meses em montagens e brincadeiras geniais, que não tinham inspiração outra que nos alegrar e divertir, trazendo vida aos nossos dias.

Havia sim, e disso ninguém duvida, essa festa e alegria, criativa, mas ingênua, pura de quem, no fundo, fazia qualquer coisa para inspirar através do sorriso, a união da turma. Mas falando assim parece que o Bogus era apenas esse cara da risada e da alegria. O Bogus também era da infantaria. A cada pedra jogada contra nós ele estava lá para recebê-la junto. E quando nós mesmos jogávamos pequenas pedras uns nos outros, como ocorre entre irmãos, era ele que vinha na frente, encarava, brigava e também acabava com a briga. Não fugia quando se tinha que discutir a relação. Mantinha esse amor pronto para o tudo ou tudo sempre. Para ficar numa lembrança dessas que se outrora foi amarga hoje chega a ser doce, lembro de uma vez quando eu, ele e o Negão, discutimos por horas e horas na frente do seu antigo prédio na rua astolfo até o sol e uma senhora sonolenta aparecerem para acabar temporariamente com a discussão. Essas discussões nunca anunciaram nada mais do que a certeza da amizade e do carinho que embasavam a liberdade de se falar o que nem sempre se quer ouvir, mas que muitas vezes é preciso. E ele falou e também ouviu.

Há pouco tempo escrevi um texto (aqui embaixo) sobre os pequenos prazeres da vida que num dado instante deixam de existir. Naquelas coisas que até ontem fazíamos como algo banal e eterno (como estar na presença do nosso grande amigo), mas que de repente passam a existir apenas na memória e no afeto. Escrevia de forma vaga, pensando nas peladas no minas, nas paixões indeclaradas do colégio, na infância, adolescência. Pensando também em coisas de minha família. Para ilustrar o texto coloquei uma foto que o Bogus tirou da gente e que é uma das fotos que mais gosto, ainda que não vemos nada além de sombras. Sei que ele também gostava dessa foto. Nela vemos muitos de nós, em Cabo Frio, exaustos a curtir a areia e o fim de tarde na praia. Eu estava contemplando a luz do sol no seu encontro tão bonito com o céu a areia e o mar. Pensava na beleza de poder estar ali vivendo tudo aquilo com essas pessoas maravilhosas. De repente, um flash e olhei para a esquerda. Há uns 15 metros de nós estava o Bogus, agachado tirando a foto. Só veríamos o resultado em BH, quando revelássemos aquela foto. Mas ali, naquele momento ele captou com sua sensibilidade um momento lindo, para mim e tenho certeza para todos nós. É por isso que gosto tanto da foto. Ali naquela sombra sei que sou eu, do lado do Dudu. Ao fundo já fica difícil identificar cada um, mas com clareza e nitidez lembro do seu sorriso maroto, aquele dia, de quem teve a certeza de ter tirado uma bela foto, seu sorriso de quem nos espreitava sempre a procura de uma brincadeira dessas cheias de graça e vida, sem nenhuma vulgaridade ou baixaria. Suas fotos da nossa turma, são tudo menos simplesmente fotos. É a nossa vida que ele registrava.

Mas agora, e por mais que doa, é preciso dizer isso que a gente não queria nunca ter que falar. O Bogus se foi… Mas se a pessoa, se o corpo, a voz, o olhar se vai, nas lembranças, cada um com a sua temos ele sempre por aqui. Na lembrança de cada um de nós marcamos um ponto, uma palavra, um gesto, uma ação, um conselho. Uma brincadeira. Um carinho. E ao compartilhar essas lembranças, ao ligarmos umas as outras vamos mantendo sua presença, sua história, seus desejos, e o seu coração de um tamanho sem medida sempre vivos. E assim, vamos percebendo o quanto fomos abençoados com sua presença por aqui. O quanto ele ainda nos mostra e ensina, e o quão importante e fundamental foi esse, menino, homem, irmão para todos nós.


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Published in: on 21/01/2009 at 15:10  Deixe um comentário  

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