“Todo mundo que gosta de futebol se emocionou”

Achei simples, bonito e muito verdadeiro o que Mano Menezes, técnico do Corinthians, falou sobre o gol do Ronaldinho no último fim de semana (08/03/2009). Para quem viu a entrevista ficou nítido que o técnico se colocava ali como amante do futebol e o fato do jogador em questão ser de seu time era apenas um detalhe. Eu, que definitivamente não sou corintiano, também transbordei de uma alegria que nem sei bem de onde veio. Nem diria uma alegria, assim um alegrião, foi mais um êxtase quase religioso mesmo de estar ali vivendo este momento lindo, como diria o rei. Já faz um ano que tentei pela última vez escrever sobre futebol, no embriagar da minha nova (naquele tempo) casa no rio de janeiro embalado pela campanha felizmente frustrante do flamengo na libertadores, pelos belos jogos do fluminense e é claro por uma cerveja solitária, porém honesta. A verdade é que torcer para o Atlético Mineiro tem se mostrado difícil para quem de fato vê o futebol menos como esporte e mais magia , mais arte do que guerra. Ou ainda sim Guerra, mas daquelas que lemos nos grandes épicos, cercadas de mitos e história maravilhosas. E foi assim que acompanhava atento ao caminhar do fluminense, assim como das declarações e posições do Renato Gaúcho, técnico da quase-glória do tricolor carioca.

O Renato tem realmente o dom da palavra, cerca-a de uma força difícil de se ver em jogadores de futebol. Veja o Pelé. Sem nenhuma dúvida para absolutamente ninguém na terra ele é o grande deus dos gramados, mas incapaz de falar qualquer coisa que chegue aos seus pés. Literalmente. Como diz o Romário (esse sim sabe de tudo mesmo), “O Pelé calado é um poeta”. O Renato com suas declarações tanto como jogador ou técnico abala corações e fígados de qualquer um. Sente-se algo desde graça a raiva. E eu vinha acompanhando com esperança esse personagem maravilhoso e o belo futebol que seu time vinha demonstrando. Acho que nunca em minha vida vi um time jogar tanto e tão bonito como o fluminense no jogo contra o Arsenal da Argentina. 6 a 0 foi pouco aquele dia.

Para mim, no entanto, o que mais diferenciava o Fluminense estava fora de campo. Sentado no banco. O Romário foi o último dos moicanos dos jogadores-fanfarrões que se sustentam por si, que conseguem se impor como personagens que de alguma forma estruturam nossa relação com a bola e mais ainda com a vida. bobo. muito chato, tipo Muricy Ramalho, mas que em geral onagem quando interessante s Quem mais poderia ter dito isso, que tem força de bruxaria: “Quando eu nasci, papai do céu apontou o dedo e disse: esse é o cara”…Será que poderia ser O Kaká? O Ronaldinho Gaucho? Não, a assessoria de imprensa destes certamente ficaria preocupada com possíveis manifestações religiosas o que poderia afastar alguns patrocinadores e suas fans. Assim como o Romário o Renato é também pródigo nessas manifestações estético-canalhas, e além disso trouxe essa fanfarronagen futebolística para fora do campo, para o técnico de futebol, personagem que em geral só é interessante quando muito chato, tipo Muricy Ramalho. bobo. muito chato, tipo Muricy Ramalho, mas que em geral onagem quando interessante s

O Renato, Romário, Zidane são personagens que deixam muito claro, para quem quiser entender, que o futebol não tem nada a ver com esporte ou negócios. É mais como um teatro mesmo. Ou melhor, é a própria vida recriada nas palavras e nos gestos de quem não é máquina. Pois é isso que esses caras falam quando criam personagens para si. Vejam o caso do Túlio Maravilha. Ano passado ele foi o artilheiro da série b do campeonato brasileiro e foi eleito vereador. O cara ta aí desprezado por todo mundo, mas fazendo muito gol, a La Dadá Maravilha, já faz uns 20 anos. Mas e o Ronaldo com tudo isso? È claro que ele não tem o carisma desses outros, mas não dá pra negar que o cara é foda. Ou melhor, chega a ter carisma do tanto que ele é foda. Melhor jogador do mundo, apaga na copa, fode mesmo o joelho, todo mundo fala que já era, volta, campeão do mundo e artilheiro da copa, badalado de novo, várias contusões, muita grana, gordo na copa, ostracismo, fode o outro joelho, todo mundo fala que já era, gordo e velho, três travestis, o cara me entra em campo e faz chover, bola na trave e gol feio, mas gol. E aí é bonito ver que o futebol e os jogadores têm história, tem ódio, tem estrela. Querem mais do que apenas trabalhar. Querem fazer chover. Sinceramente quem entende o que o Romário fez na copa de 94? E o Zidane em 2006 que jogou metade da copa machucado, e ainda assim levou uma frança bastante limitada a final da copa, terminando sua linda carreira nos gramados de forma bastante trágica, porém original.

E o Ronaldinho é desses últimos com tal poder. E por isso o êxtase coletivo dos últimos dias é muito sincero.

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Published in: on 12/03/2009 at 12:30  Comments (1)  

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  1. Manifestações estético-canalhas, gostei do conceito. Não sei considero tais modificações virtuosas ou medíocres, mas concordo que são, no mínimo, originais.


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