Nitianas #1

§1 Coisa que entendo, mas não queria

Passo rápido um olho no jornal e já entendi. Na capa e no recheio a notícia de juízes e delegados esquerdistas e incendiários tentando prender banqueiros, empresários e políticos envolvidos num esquema de corrupção ilegal e fraudulenta. Mas veja só que disparate! Como podem esses juizinhos se arvorarem o direito de sair por aí tentando prender quem comete crimes. Mas eles que esperem que logo-logo vêm jornais, revistas e O Super-Ministro Gilmar Mendes com seus poderosos recursos para salvar a democracia nesse paísinho latino-americano populista de merda, mais afeito a grandes dramas e desvarios marxistas (como prender gente rica), do que a frieza das burocracias, habeas corpus, e advogados bem relacionados (A estória da proibição das algemas já é um clássico nesse caso. Pegar o preto pobre favelado, colocar ele no chão, enfiar um míssel em sua boca e mandar a imprensa tirar foto pode. Ir a mansão do Exss.Sr.Dr. Bacana pedir educadamente a ele para colocar as algemas – não pode). O caso recente do delegado Protógenes, que mandou prender o banqueiro Daniel Dantas e logo depois foi encharcado de acusações, afastado do seu trabalho e passou a ser o réu no caso, é exemplar de tudo isso que vem acontecendo. O fato é que quando se trata de corrupção quem investiga e prende é o culpado. Sempre. Se estivéssemos em Casablanca, o final seria: “Prendam os policiais federais de sempre”. Talvez seja a última reviravolta na nossa forma de lidar com a corrupção. Agora, depois da indignação, do desanimo, da desesperança aliada a súbita aparição de cidadãos de bem, exemplos de políticos profundamente investidos do espírito republicano, que finalmente nos salvariam, estamos tentando viver a idéia daquele sujeito que pula do décimo andar, e a cada andar pensa, “até aqui tudo bem”… Estamos tentando desacreditar no que vemos e ouvimos como maneira de manter o nosso chão, ou no caso, manter o chão bem longe. Mandamos prender quem prendia, para ver se esse não prende mais, e assim não teremos mais crimes nessa nossa amada república.

§2. Bombardeando o alvo de sempre. E não falamos do Iraque

Falar mal da revista Veja, tem algo extra daquilo contido nas expressões “chutar cachorro morto”, ou “roubar doce de criança”. Isso porque além de “chover no molhado”, tais expressões não contemplam o prazer sexual que sentimos ao falar mal dessa coisa. E ao contrário de muitos dos que se viciam nesse gozo cadavérico (já que o cachorro está morto) o mais importante não é o fato da revista ser de Direita. Claramente de direita, ainda que se venda como imparcial, como enfim essas revistas não-pós-modernas brasileiras gostam de aparecer. Ninguém é mais neutro, bicho. Ponto. Enfim, mas enquanto Lyotard não chega ao Brasil, prosseguimos guerreando por outros meios. A Veja não é péssima porque é parcial. Ela é péssima porque é mal escrita. Isso porque ao trazer uma notícia ‘x’, por exemplo a morte do Fidel, quando não na foto, em ultimo caso, na manchete já sabemos tudo o que vai estar escrito ali. Os redatores não querem nem se dar ao trabalho de construir bem seus fatos objetivos. Partem dos preconceitos devidamente arraigados nessa classe média liberal-conservadora besta, que temos aos montes e cada vez mais. Aliás, só por aqui temos uma classe liberal-conservadora (economicamente neoliberal/politicamente racista-conservadora). Talvez seja nossa contribuição a sociologia política mundial. Mas essa relação entre a revista e a classe média é um tema interessante, pois a revista claramente ajudou a consolidar uma classe média que sempre existiu, mas que, no entanto, permanecia com contornos pouco claros. Atualmente tal classe vem se constituindo como uma verdadeira classe-para-si. De fato acredito que a revista poderia continuar pacial, mas deixar de ser estúpida. Nesse sentido ela teria mais facilidade em se conservar no ideário brasileiro como uma revista boa, ao mesmo tempo faria seu dever ideológico, coisa que @ Globo, por exemplo, vem fazendo bem. Vale a pena investir nesse cachorro morto mais um pouco, talvez um dia faça algo que me propus certa vez, pegar uma revista aleatória e demonstrar frase a frase o que aqui escrevo, ainda que o tiro final já tenha sido dado a bastante tempo pelo Nassif. Não Exss.Sr.Dr. Bacana o Nassif não é terrorista nem árabe…

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Published in: on 04/04/2009 at 18:10  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Muito bom!
    “Coisas que entendo, mas não queria” é um bom nome. De fato, acho que ninguém quer entender. Mas melhor mesmo seria chamá-lo de “Coisas que acontecem, mas não deveriam”…
    []s!

  2. Concordo chicones, tenho tido problema como titulos..
    tenho achado tudo ruim e óbvio…


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