Nitianas #2

§3 – Salve sua sombra

A hora do planeta é o cacete. Acho incrível essas vaquinhas indo lentamente pro brejo,  quando uma delas pede a todas as outras fazerem algo em relação aquela  situação. Aí, depois de muito se delibera chegam a uma decisão e com todo barulho e alvoroço combinam que por 20 segundos, as 3 e quinze da tarde de quarta-feira todas berrarão “Muuuuuu”, com toda força para dar um recado ao mundo. Primeiro, como se pudessem fazer algo além de falar mu. Segundo como se falar “Muuuu” pudesse tocar na realidade de se estar indo para o brejo. Não pensam em por exemplo fugir correndo, ou matar o vaqueiro. A verdade é que até hoje o discurso ecologista parece que nunca deixou de ser uma montanha que pariu um rato, nas palavras de Mészaros. Isso porque é um discurso que não consegue se levar muito a sério. Numa época de crise econômica (recessão) na qual se diminui a produção econômica ninguém parece conseguir colocar na cena a pauta de se mudar a forma e escala da produção econômica.

O mais importante é que os operários (sim eles ainda estão por aí, acredita?) aceitem diminuir o salário e a jornada de trabalho para, enfim salvar o mundo do caos e da recessão. Isso sim, coisa obscena. É como pedir ao maneta para bater as mãos, e bem alto senão os surdos não vão escutar.

§4 No filho dos outros é refresco

Isso tudo me lembra como é importante a obra de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, “Hegemonia e Estratégia Socialista” para se compreender a realidade social e política do mundo. Pois não é que a melhor forma de propagar um discurso preconceituoso e fascista de eliminação social dos pobres é apelando aos doces sentimentos dos gentis cidadãos, pais de família, gente simples sabe, como a gente. Frente a escalada da violência na sociedade contemporânea (adoro esses termos) a melhor forma de sensibilizar um desavisado que não acha que vivemos em guerra e fica ai debochando de algum caso envolvendo tripas e estupro coletivo é dizer ao sujeito: “E se acontecesse com seu filho?” Aí todo mundo se cala e fica puto e acha grupo de extermínio a coisa mais normal do mundo, inclusive aqueles honestos e pacatos cidadãos de bem. Mas quando, Edson Luís, um mísero estudante secundarista foi morto num restaurante no centro do rio durante a ditadura brasileira, a frase que circulou e despertou a atenção da população, pais e mães das diversas classes, para a violência do estado n aquele momento foi a mesma : “E se acontecesse com seu filho?”. Nesse segundo caso, a tentativa de balançar os sentimentos da classe média (que enfim é quem tem força de apelo frente as instituições modernas) teve como centralidade pôr em questão um regime autoritário que até então encontrava amplo respaldo nesse setor. O genial é que a mesma frase, que busca atiçar os mais íntimos e calorosos sentimentos, produziu efeitos tão diversos, um culminando num processo de crítica da violência, e o outro contribuindo para uma violência sem limite de crueldade.

suamae1

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Published in: on 30/04/2009 at 15:08  Comments (1)  

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  1. Sim, essa velha frase…
    Engraçado que uns dias pra trás eu estava justamente pensando nisso. Na fila do restaurante no fundão escutei atrás de mim uns garotos de uns 20 anos falando desses ´merdas pacifistas que criticam o BOPE e as ações da polícia no morro. o que tem que fazer com esses caras é matar o filho deles na frente deles e então perguntar se eles não defendem meter bala nos bandidos.´ Achei interessante vc colocar essa oposição (acho que vale lembrar tambem as maes da praça de maio na argentina, acho que sua força também vem muito desse termo implicito ou explicito). A verdade é que o individualismo da classe média só é tocado com esse discurso mesmo…´e se o filho fosse seu?´. Bom, então voltemos a pergunta ´e se o `bandido` sendo torturado ali em cima fosse seu filho, heim?´…mas aí nao dá certo porque ser ´bandido´ tá no sangue…é uma raça e portanto o ´ bandido´ nunca nasceria da branquela usando Forum…disso ela tem certeza e filmes idiotas como ´ meu nome não é johnny´ só confirmam isso.


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