O Carioca #1

Pretendo ainda em vida narrar, com riqueza transbordante de detalhes, minhas perambulação pelo Rio de Janeiro. Mas antes dessa vontade que não realizarei, gostaria de contar um pouco do que venho experimentando por aqui.

Há 1 ano e quatro meses moro no rio. Já havia vindo aqui algumas vezes antes disso. Na primeira vez ficou a beleza da cidade, de um sol mais claro. Lembro parado no sinal dentro de um carro, na altura e sapiência dos meus 12 anos, sentir que o sol no rio era muito brilhante as ruas mais largas do que em Belo Horizonte. Na segunda vez, aí já com meus 20 e poucos anos, comecei a reparar na cultura e no comportamento dos cariocas. E além da bela distribuição de matéria do corpo da mulher carioca, assim como sua deselegância nada discreta, achei incrível o fato dos cariocas não puxarem o freio de mão ao estacionarem seus carros na praia. Dessa forma caberiam mais carros na rua, pois não sobrariam aqueles espaços entre um carro e outro. Achei isso SENSACIONAL!  Mesmo… Foi meu ovo de colombo. E já começava a delirar sobre esse povo superior que é o carioca…

Bom, mas aí a minha namorada me trouxe com ela quando veio morar por aqui. Eu vi, gostei e resolvi ficar. Para começo de história, nada pra mim é mais rio de janeiro do que João Nogueira. O rio de janeiro seria então a terra de um povo diferente, livre, carregado de samba e coração. Um povo aberto ao mundo e suas possibilidades. Resumindo, um povo sem freio de mão. Ou seja, o contrário de nós mineiros, desconfiados e fechados, tímidos, travados e tacanhos.

A Júlia diz que nada é mais carioca do que a existência de grandes obstáculos de concreto no passeio para impedir os carros de andar por ele. Pra mim os dois “acidentes” de ontem são ainda mais cariocas. Melhor seria dizer, os dois homicídios de ontem. No primeiro uma van com vários crianças bateu de frente num veículo parado matando, a princípio, 4 crianças. No outro um ônibus atropelou uma menina de forma absurda, passando por seu corpo mais de uma vez.

Na primeira vez que cheguei ao rio para ver Gabriela tomei um golpe do taxista, um golpe bem carioca, como fiquei sabendo depois. Na última segunda na rodoviária, de madrugada, peguei outro taxi, e dessa vez não tomei golpe, pois depois do primeiro aprende-se alguma coisa. Mas aí em determinado momento, no qual o carro seguia a 130 Km/h resolvi pedir pro taxista diminuir “um pouco”… Sua resposta foi que ali era uma área de risco, e de fato era, e que ele “não podia ir devagar..”, e decidido a fazê-lo me entender, falei, “amigo, não falei pra voce ir devagar, mas sim diminuir um pouco…” Enfim, evidente que ele não diminuiu. Como o motorista da Van também não diminuiu. E por isso “o motorista” da van, matou as 4 pobres criancinhas… Sobre os motoristas de ônibus, nada mais a declarar, já falei demais sobre isso… Trânsito no rio, infelizmente é uma piada de mau gosto.

Mas como só pobre anda de ônibus por aqui, tá tudo limpo meu chapa…

O Rio se configura num espaço sócio-simbólico a parte de outros lugares do Brasil. Por isso a estranheza que senti ao ver “Tropa de Elite” se desfez quando entendi o seu entorno.  Aquela pedagogização tosca da história de que “o usuário de droga mantém e financia o tráfico de drogas” faz muito sentido por aqui. A idéia da droga como algo proibido por aqui é balela, e é mesmo. Se você duvida vá a praia e abra os olhos… Mas isso já é outro assunto.

Sei que se o édipo passou por aqui, não deixou nenhum vestígio e se foi…

Deve ter pegado a BR 040…

E sim, acordei de mau humor…

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Published in: on 02/07/2009 at 13:11  Deixe um comentário  

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