Onde os taxistas safados não tem vez!

Adão

Adão

Confesso que tinha uma impressão meio difusa e abstrata de Recife. Sabia que o Chico Science era de lá, da existência do Manguebeat, de uma história que tinha algo a ver com holandeses, do Joaquim Nabuco, mas tudo de forma bem desfigurada. Sabia também que ali havia uma forte pluralidade cultural que poderia sim mexer e trazer vida as coisas moribundas da arte. Coisa difícil entre nosotros que celebramos tão avidamente o usado e o abusado (Para quem duvida, vá a Lapa no Rio, onde parece que sempre se toca a mesma música). Confesso que sou destes que só gostam do passado gasto e que deu certo, Cartola, João Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro, Chico Buarque. Gente que se não está morta, está velha e pouco tem feito de novo. Então também tenho que confessar que sempre que me volto para esse velho samba que tanto gosto e prezo, e que tem me mantido nessa vida há tanto tempo, sinto uma certa culpa de museólogo, aquele só se interessa por aquilo que está morto. Mesmo que vague entre nós. Em Recife ouvindo uma banda que não conhecia (Cascabulho)  que pelo que fiquei sabendo é bem famosa por lá, percebi que daquilo poderia sim nascer algo que não seja nem fungo e nem bolor. Um samba de fundo, um maracatu surgindo e riffs do mais sujo roquenrol. Enfim, minha impressão de Recife é a suspeita, talvez infundada, de que algo está ocorrendo ali, e não é de agora. Algo no sentido cultural, social e político. Não diria de forma alguma que a cidade é tudo de bom. Ainda que não tenha sofrido nem visto qualquer problema de violência na cidade, percebe-se pelo número de policiais nas ruas, mais do que por qualquer outro indicador, que se trata de uma cidade violenta.

Além da decantada diversidade cultural, que se mostra no fato de Pernambuco não ter nenhuma letra repetida, expressando assim a imensa criatividade e heterogeneidade do seu povo (algo que gostei muito…), duas outras coisas também me chamaram muita atenção. Primeiro é a importância da história para os recifenses. Foi a primeira vez que vi a história de um lugar tão apropriada pelas pessoas desse lugar. Todo taxista que pegamos tinha algo a dizer contra ou a favor de holandeses e da sua expulsão e por aí seguiam… E a segunda coisa que me chamou atenção é a simpatia e o algo mais dos taxistas que estavam sempre dispostos a dar uma volta conosco pelo Recife Antigo, mostrar, por exemplo, onde aquele perdeu o cabaço, ou ainda outro que nos deu a  anti-corporativa dica de não ficar por aí gastando dinheiro com taxi, e alugar sim um carro para passear com mais liberdade pelas belezas de Recife (!!!). Assim fica-se com uma certeza impossível para quem se habitua ao rio de que o taxista não está se preparando para te fuder.

Enfim, na bobagem dos taxistas se percebe um conjunto de elementos que fazem e constituem um povo.

Fiquei com a impressão que o Angel Duarte é de Recife…

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Published in: on 26/08/2009 at 20:04  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Falaí Rafa!
    Fantástico seu blog cara..valorizei demais, parabéns!
    Abs

  2. Fala Márcinho, valeu pela força..fico feliz q vc tenha gostado!
    abraço forte!

  3. gosteiii de mais ?


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