Requentados #1

Olha, relendo esse texto do meu blog antigo senti vontade de colocar ele de novo em circulação.

Sem dúvida é dos meus filhos preferidos, talvez porque tenha tios como Rubem Braga e Sergio Porto.

Enfim, espero que curtam… 

Confraria de homens de mulheres tristes

“A inquebrantável muralha que muitas vezes faz de uma mulher burra uma mulher enigmática! Ela permanecia impassível, ora a olhar para as unhas cuidadosamente pintadas, ora a ajeitar uma mecha de seus cabelos aloirados. Quantas são as mulheres (e neste caso ela era apenas uma moça) que os homens envolvem num clima de mistério sedutor e que são nada mais do que mulheres burras?”

(Sergio Porto, A Casa Demolida, p. 150-1)

É incrível quando achamos no meio de palavras espaçadas, sentenças e pensamentos que saíram direto de nossa cabeça e foram parar no papel, na caneta de uma outra pessoa, que por um motivo dos desconhecidos do universo, chegou aqui antes da gente. Já senti isso outras vezes. Confesso que sou um narcisista, sinto-me muito bem compartilhando com esses famosos, as nossas idéias. É como se reconhecer numa confraria, no caso a confraria dos que já tomaram uma mulher burra por misteriosa, e daí poderia eu até criar uma comunidade do orkut, mas não, por favor.

Ah, mas quantas mulheres burras tomei eu por misteriosas! Secretas, que viveriam um silencio que achava eu escondia algo que nunca existiu. Temos que tomar muito cuidado com os enfeites e fantasias que vestimos nos outros.

No mais tenho que dizer que além do mistério acho lindo a tristeza. Confesso, tal qual outro poeta, que também já fui acusado de amar mulheres tristes, mas ao contrário dele reafirmo minha completa culpa. A verdade é que ficava um bocado triste quando descobria que aquela mulher, ali no canto, sozinha e calada, era no seu íntimo, feliz.

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Published in: on 28/11/2009 at 17:41  Comments (4)  

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Você tb é do tipo que ficou triste quando a Ana Paula padrão começou a sorrir mais em publico? Hehehe. Meu caro, essa coisa dos “enfeites e fantasias que vestimos nos outros” é realmente algo pra lá de complicado, calcanhar de Aquiles de muitos, senão todos os relacionamentos, reais e platônicos. Um abraço

  2. Meu filho, sempre soube que vc fazia parte de nossa confraria…Só de falar “Ana Paula Padrão” já disse e entendeu tudo, tudo que eu queria expressar.
    Valeu pela presença e vc fez falta pra caralho na festa da fafich ontem…

  3. Meu deus, mas porque sempre essa insistência no exemplo Ana Paula Padrão??? Sei da legião que vai me xingar, mas ela é uó, e pronto.

    No mais, em caso de dúvida vc já sabe: pergunte o filme preferido da moça e se arrependa de ter ouvidos pra escutar a resposta.

  4. Elisa Beibe,
    vc tb fez muita falta na festa da fafich. Quanto a Ana Paula, que não se chama padrão à toa, acredito que eu, o fred e o FHC não concordamos muito contigo…Mas, enfim…


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