Tudo mais jogo num verso…

Engraçado. A gente faz psicologia e foge do drama e da clínica, coisa de mulher.
Aí na esquina séria da psicologia social com a filosofia política dá de cara com uma psicanálise de chapéu e bigodinho falso. Daí vamos  para o bar tomar uma cerveja e conversar. E daí a gente gosta e leva para a vida. Por um tempo tudo vai bem. Por um tempo, a gente acha que isso vai dar certo. Fica lá falando dos grandes problemas, das grandes questões da vida social e política e da história do mundo.
E daí lendo alguma coisa sobre hegemonia, lógica da equivalência e da diferença começa a pensar em coisas, dessas das quais se fogia lá na primeira linha. E daí a gente fica preso nisso tudo que se chama vida. E nem se trata de angústia assim simplesmente. É coisa boa, triste e necessária para levar os dias.
Será que esses filósofos virtuoses acreditavam mesmo que poderiam brincar com a safa da senhora psicanalhise (Brigado Elisa), e depois simplesmente voltar para casa, sentar no sofá e ligar a TV?!. Não meus senhores, nada disso. É sempre a gente aí na reta das coisas, da vida, dos problemas do mundo. Se aqui há um tom de remorso, de retorno aos dramas e sofrimentos de “verdade”, das coisas do psiquismo, ou o que seja, desculpem-me, mas são apenas firulas retóricas. O caminho tem sido perigoso, bonito e vasto. Permaneço nele.
O engraçado são essas coisas que a gente lembra assim sem mais, sentado na frente de uma mesa com um texto na mão. Lembrei do livro “Ela e outras mulheres”, do sacana do Rubem Fonseca. O livro, aparentemente é uma série de contos sobre desventuras amorosas com ela e também com as outras. E a gente vai lendo, lendo…Acha uma história legal, outra chata, outra nojenta. Mas tem uma hora que a gente saca. Não é ela, nem a outra, nem nada disso. O segredo está na passagem de uma para a outra. E a gente fica aí nesse meio, entre Guiomares e Helenas… O livro é tudo menos uma série de contos. “Ela” é a própria vida, seja a nossa ou a do Rubem Fonseca.

Eu escutei de um professor uma vez essa historinha e achei muito boa. Althusser questionou a Lacan se a psicanálise poderia ajudar na revolução do proletariado. E Lacan retrucou que o marxismo é que deveria fazer algo pela psicanálise.

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Published in: on 16/12/2009 at 01:02  Comments (1)  

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  1. […] Ao momento Rubem Braga foram se sucedendo mulheres e homens feitos de papel, vazio e tipo-grafias. Mas, e sempre demarco isso, começar com Braga não tem nada de cronológico, talvez de lógica. Falo isso não apenas para prestar conta, mas para deixar claro o limite. Não foi a poesia moderna de Drummond, não foi a prosa delirante e lírica de Guimarães Rosa, não foi a filosofia brega de Nietzsche, ou o pessimismo romântico de Freud, não. Foi pela visão pequeno burguesa, amorosa, lírica, erótica, devaneante, carioca e crítica-romântico-cínica de Rubem Braga. Tolstoi no meio, se impôs pelo o arrebatamento do clássico, o clássico posto que perfeito, forte. Com Orwell, pela esquerda combatendo a injustiça e Gárcia-Marquez à frente lidando com os problema do amor, encarava, solitário, a danada. E aí chegaram as mulheres, Agnes Heller e Hannah Arendt. Pela filosofia política passei a me questionar, como ja falei disso em outro momento. […]


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