Como parei de fraquejar e passei a marcar gols!

Rubem Braga numa de suas crônicas deu uma definição maravilhosa sobre a sua própria habilidade nos campos de futebol.  Definição esta que com dois adjetivos conseguiu imprimir de maneira precisa um tipo mesmo universal de jogador de futebol. O cronista com mal-disfarçado orgulho confessa que foi um ponta direita medíocre, mas furioso. Eu por minha vez digo que se não fui assim medíocre, posto que sempre tive um trato íntimo com a pequena, nada demais, é bem verdade, também tenho que admitir que  nunca fui um apaixonado voluntarioso. Fui sempre um tanto tímido, mais esperando do que fazendo acontecer, o que atrapalha muito em relação a bola, e só um pouco em relação à mulheres. A delicadeza e o tato não cabem muito numa partida de futebol, ou numa pelada que é o tema que trato aqui. Como nos lembra o Arnaldo César Coelho, o futebol é um esporte de contato, mais ou menos como o Muay Thay.

Pois bem, de fato sempre tive visão de jogo, antecipação em relação a jogadas, sou um excelente marcador, e tenho alguma habilidade em conduzir a criança. Ainda que a preguiça tenha sempre me dominado, e por isso nunca senti que consegui realizar uma partida inteira da mesma forma como realizava algumas jogadas. Sou um jogador de lances, e mesmo que dificilmente faça alguma grande besteira, teria que dizer que minha nota ao final de cada partida seria algo como um 6,5. Acredito, como nos ensinou o poeta, que “Felicidade Não existe, O que existe na vida, são momentos felizes”, e olhe lá… Mas de tudo isso, apenas uma coisa me chateou sempre em toda a minha carreira. Nunca fui de fazer gols. Sabe, pois isso é meio que um Karma. Tem gente que você vê que não é tão bom, mas sabe fazer gol, acha o gol. Eu nunca fui desses. Passava um bom tempo sem fazer nenhum, ou então eles vinham minguados, aqui, ali. Nesse ano a coisa mudou.

Descobri, vendo o filme Harry Potter e A Ordem da Fênix, o caminho das pedras. Numa passagem do filme, Harry ensina as outras crianças da escola como fazer magias e lutar contras as forças do mal. Ele então demonstrava  aos aluno como fazer certos feitiços, e em seguida as crianças repetiam a façanha. Mas acontecia que muitas das crianças não conseguiam repetir a magia, mesmo falando e fazendo certo. Harry Potter então diz que é preciso acreditar que a magia vai funcionar, é preciso fazer aquilo funcionar, acreditando nisso. Não basta agir de forma correta, mas mecânica, não é assim que funciona. Confesso que foi a com essa grande tolice que comecei a fazer gols, e muitos. Ao chutar uma bola é preciso acreditar que ela vai ao gol, é preciso atenção a bola, ao chute e ao movimento, e dessa forma é preciso ver, sentir o lindo caminho que a bola faz do seu pé para o fundo das redes, isso quando essas existem. A dica é boba, mas funciona. E por mais boba que seja, não é nada fácil, isso de acreditar mesmo. Pois não se trata de cognição. É preciso imprimir já no ato um quantum de vontade. E é claro que nem sempre funciona, mas mesmo quando isso acontece, faz um bem danado, pois sentimos que estamos envolvidos ali por inteiro sem medo ou dúvida.

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Published in: on 22/07/2010 at 01:46  Comments (6)  

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Que post providencial. Maravilha.

  2. Meu caro, fico feliz que a auto-ajuda futebolística esteja te ajudando…heheh…Abraço forte!

  3. A auto-ajuda já funcionou na Taça Bogus…

  4. Camarada… bom texto hein… tratar com cuidado cada lance e acreditar que mais um gol será marcado…

  5. pois é fred, as vezes o maior dos clichês pode nos ajudar na vida, ou no futebol. É preciso ter fé…

  6. Meu caro, nada como o êxtase do gol heim? O prazer de um drible e de um passe, até de um desarme, são inegáveis. Mas o gol é da ordem do inominável, rs. Já passei por uma cirurgia no joelho e precisaria outra cirurgia, no outro joelho, pra voltar a jogar. É um dos dilemas da minha vida. Por enquanto estou tentando me adaptar à corrida, mais viável para mim. Mas falta criatividade e minha alma chora.
    Joguei pouco com vc mas foi um prazer aquela comunicação.

    um abraço

    Ticiano


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