Dois mil e onze

2010 é só um retrato no facebook, mas como dói.

Foi um ano modorrento e chato. Porra, um filme de suspense de cabeça para baixo, quem é que aguenta. Clímax no início? Pois veja você, tudo começou com defesa de mestrado; verão carioca e Moacyr Luz; amigos cruzando a BR3 para me ver; eu cruzando pela primeira vez o Atlântico para visitar a amada no velho continente. Ano de casórios. 2010 começou fervendo e lindo e foi esfriando, esfriando… Quem editou essa merda? Pois só restou, que preste mesmo, a trilha sonora, restou o samba sagrado de todos os dias. Amo o samba, e quando digo amor, digo dessa coisa louca que nos persegue pela noite.

No fim do ano os amigos vieram, ou melhor, eu vim a eles. E o ano termina com um belo porre e uma grande ressaca, que já dura 3 dias. Mas se me perguntarem, eu direi, valeu a pena.

(O momento mais lindo desses dias foi a bela roda de samba do Sabiá, lá no bar do Orlando em Santa Tereza, a música, o pandeiro, a lua…ai ai)

Agora ando triste e cabisbaixo, cansado de mim e da minha inércia para a vida, o estudo, o trabalho, cansado de  promessas de fim de ano. Vai Rafael, vai ser qualquer coisa na vida…

Olha, mas peço a você aí que, por favor, tenha mais carinho e atenção para as pessoas ao seu redor. Olhe mais nos olhos de todo mundo e tenha paciência com os desejos alheios assim como com os seus próprios desejos e sonhos. Tente pensar e fazer valer as coisas e as pessoas que te fazem feliz. Nesse final de ano, mais uma vez, vi e senti que nada me faz mais feliz do que a companhia de bons amigos num bar, ao redor desse espírito sagrado da palavra e da amizade que por aqui chamamos de “cerveja”. E quando chega a música, ai… Nada mais lindo do que discutir com as pessoas que gostamos qual seria o melhor disco do João Nogueira (“Vida Boêmia” é claro), e num dia, mesmo sem cerveja, ser apresentado ao homoerotismo latente de uma canção do Djavan. Ou ainda descobrir com assombro, que a música “Eclipse Oculto” do Caetano é só o retrato patético de uma broxada (“Nosso amor não deu certo, gargalhadas e lágrimas…”).

Enfim, devaneios de fim de ano. Algumas coisas sérias também valeram a pena, como a derrota da direita na política brasileira e no futebol mundial. Se a gente tem dúvidas sobre o que diabos é a esquerda nesse mundo de jesus, a gente sabe muito bem que a direita tá aí e a espreita e isso basta, por hora. No futebol, graças ao divino, perdemos a copa. Basta de mediocridade, lealdade e espírito de equipe. Eu quero é beleza, graça e exuberância. Esse é nosso dever enquanto brasileiro para com o mundo, e no mais, que se fodam os não-nacionalistas e os chatos dos gramáticos.

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Published in: on 30/12/2010 at 15:52  Comments (8)  

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Que bom que tive acesso novamente ao seu blog, Rafael. E que bom que vc continua escrevendo cada vez melhor.

    Muitos encontros amigos, cervejas, sambas em 2011 pra você e muitos textos bancanas para nós!
    Abraços/Raquel

  2. rafa,

    você é lindo de doer! (percebe como é ambivalente esse sentimento?! você é bem isso!)

    e realmente, começar 2010 junto foi o ponto alto do ano! =]

  3. Raquel,
    fiquei feliz demais de ver seu comentario aqui!
    Bejo grande e um 2011 maravilhoso pra vc!!
    rafa

  4. beibe, ó nem preciso dizer o tanto que vc mora no meu coração né?
    Mas vou dizer, te amo viu!
    Foi lindo mesmo o nosso reveilão despretensioso…

    bejo
    rafa

  5. Que comunguemos muito da amizade e das bençãos do deus cerveja em 2011. Belo texto, Prós!

  6. Muito amor nesse fim de ano meu velho.
    Não canso de dizer da alegria que é compartilhar do seu bar. Estamos ai sempre. Que 2011 seja nosso.

  7. Fred e Patrão, alegria indizível ser amigo de vcs! Obrigado pelas palavras de carinho!!
    Com vcs ao meu lado eu digo, “que venha 2011!”
    grande abraço

  8. E aí Rafa! Gostei do texto. Principalmente dessa parte: “nada me faz mais feliz do que a companhia de bons amigos num bar, ao redor desse espírito sagrado da palavra e da amizade que por aqui chamamos de “cerveja””.

    Agora, se quer mesmo “beleza, graça e exuberância” vai pra Amazônia rapaz! Manaus! Vai mais praquele velho continente não! Abraço!


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