leia UM livro

                Este texto surge a partir de uma querela com o meu primo, o Chico, uma das muitas que temos, graças a…

Enfim.

O Chico aí de cima é um profundo admirador das potencialidades da internet em difundir textos, divulgar idéias e ampliar a capacidade de compreensão dos sujeitos sobre o mundo. O acesso a informação pela internet se diferencia, de outros meios de comunicação, pela pluralidade de perspectivas e pela liberdade da rede em relação às amarras capitalistas e centralizadoras das mídias tradicionais, como a televisão e o rádio. Um mesmo “fato”, na rede, pode ser narrado por diversos sujeitos, a partir de posições singulares. Eu não discordo de forma alguma das benesses da internet. Não sou desses que adoram jogar água fria nesse papo, soltando a baixa porcentagem de indivíduos que já acessaram alguma vez a rede ou demarcando que 85,9 % das buscas no Google se dão em torno de termos bastante educativos, como “pinto grande” ou “orgia anão Adriano Cavalo”. Nada disso é um argumento contra a potência da rede em estabelecer modos alternativos e não-hegemônicos de entendimento do que nos acontece. Obviamente, como uma pessoa que pensa, fico possesso quando leio coisas do tipo: “a revolução no Egito foi causada pelo twitter ou facebook”. Tenho gastrite também quando a internet vira sinônimo de um mundo mágico e abstrato de possibilidades infinitas dessa nossa bela globalização. Como se todos estivéssemos agora numa nova era, pois a verdade é que no mundo que habito, ainda se morre de fome e tuberculose. Os jovens negros moradores da periferia brasileira são limitados na sua circulação territorial e continuam sendo assassinados no atacado, muitas vezes pelos agentes do estado. Portanto, não se pode ir a qualquer lugar a toda hora, há limites, vivemos e viveremos sempre num mundo material marcado por condições e possibilidades finitas, mais finitas para uns e menos para outros, certamente. Ora, o ponto simples e besta é que a internet faz parte da realidade. É estúpido, mas é preciso dizer, porque há sempre os engraçadinhos que deliram feio nessa onda. Assim, antes de ser o espaço livre de piratas anárco-cibernéticos a internet é toda articulada a empresas privadas e submetida a diversas formas de controle. Boa parte dos chamados “blogueiros” são jornalistas profissionais, atravessados por contratos, publicidade, etc… Além disso, eu posso criar um blog e escrever o que quiser. Mas aí o wordpress pode discordar e querer me tirar do ar. Ou então meu provedor pode me achar bobo, feio e chato e me deletar também. Estou falando tudo isso sobre a rede, porque não é disso que quero falar. Eu não discordo do ponto levantado e sustentado pelo Chico, da possibilidade da rede em ampliar temas e formas de apreender a realidade. Discordo é claro, do seu grau etílico de otimismo. Se houvesse uma lei com o meu nome, a Lei Rafael, vamos chamá-la assim, ela diria o seguinte: “O mundo é sempre menos moderno do que se supõe. Isso mesmo, sempre”. E é só isso, as regras do mundo ainda são antigas, a religião ainda pauta a política em todas as instâncias e as mulheres continuam apanhando dos maridos.

A rede é a terra das possibilidades, das navegações e zapeadas. É o espaço da interação, da malemolência. Na internet estamos sempre com o mouse na mão. “Um” e “único” são termos difíceis de articular à rede. Buscamos múltiplas referências sobre diversos assuntos, ao mesmo tempo. E penso que isso nem sempre é bom. Mais nem sempre é melhor. Foi na rede, há coisa de dez anos, que descobri um texto do Sergio Porto, assinado com seu verdadeiro nome e não com o famoso pseudônimo, Stanislaw Ponte Preta. Foi através do site, releituras que li uma dessas coisas que nos acompanham a vida inteira, como uma espécie de oração particular.

“Se não me for dado comparecer às grandes noites de gala, que fazer? Resta-me o melhor, afinal, que é esticar de vez em quando por aí, transformando em festa uma noite que poderia ser de sono.”

A internet possibilitou o acesso a esse texto, que por sua vez, trouxe uma coisa linda para a minha vida. Descobri aí que o Sérgio Porto escreveu alguns livros utilizando seu verdadeiro nome, sendo que em tais obras ele falava de forma diferente da fanfarra hilária que marca o personagem Stanislaw. Sem a rede, provavelmente não saberia disso e seria uma pessoa mais infeliz ainda. A partir daí cheguei ao livro “A casa demolida”. Ora, pronto, nesse momento cessa o papel da internet nessa história. Porque daí se estabeleceu uma ligação linda entre o livro e a minha pessoa, que nada mais deve a rede. Se sou um tanto conservador, por outro lado não sou desses que contrapõe a matéria, o papel ao virtual, ao imaterial. Não é disso que se trata. A questão é a possibilidade de totalizar uma experiência. Na internet começamos procurando o Sérgio Porto, passamos para a crônica brasileira de meados do século XX, vamos a Rubem Braga, amigo do Vinicius de Moraes, poeta e também diplomata, seguimos pelas relações internacionais do Brasil e logo, logo chegamos a segunda guerra mundial… Não há fim.

As coisas são simples. Uma pessoa é simples. E o livro é um mundo inteiro que se abre, um mundo que se abre e que também se fecha, ao se finalizar o livro. A rede é de fato um universo, mas nós não somos seres intergalácticos, nunca seremos, pela Lei Rafael. É no mundo finito que vivemos. É numa cidade, às vezes, num bairro que circulamos e que nos familiarizamos. O velho Braga escreveu: “Dizem que o mundo está cada dia menor. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói”. Ler “um” livro é viver a cidade, é a possibilidade de viver o mundo na sua totalidade. É aqui que percebemos o problema da rede, não há totalidade passível de se fazer disso, pois tudo nos escapa. Há sempre um mais, um dado a ser complementado. E no delírio de buscar tudo vamos somando, somando, somando… Rapaz, a conta não fecha. Que o mundo seja mais do que nós mesmos isso é coisa necessária para não cair no delírio paranóico. No entanto penso que é necessário totalizar nossa relação com as coisas do mundo. E essa é, ao meu ver, a boa luta. Ora, na rede, quase sempre estamos conectados demais a coisas demais. É tudo fragmento. Vejo que poderia ler apenas “Anna Kariênina” do Tolstói a minha vida inteira. E sinto que saberia mais sobre a vida, a mulher, a morte, a política que alguém que ficasse lendo todos os blogs sobre economia, política, sociedade, história, psicologia, ciência. Leria e releria o mesmo livro, aquele que na sua singularidade é um mundo inteiro. Talvez não viria a obter mais informações, mas acredito que viria ao cabo do processo ser uma pessoa, e não um banco de dados. Ler “um” livro, amar “uma” mulher, ter “um” amigo. Amar uma pessoa é amar todas, porque ali você está completo. Tudo está ali, nada falta. Ao ler “o” livro, amar “a” mulher, lutar “a” luta sente-se uma coisa estranha… Não há mais tempo, não há espaço, não resta nada, nada lá fora.  Tudo, absolutamente tudo que te constitui se faz presente. Lendo, meio sem querer, o livro de Pierre Clastres, “A sociedade contra o estado” deparei-me com a citação abaixo. Ela sintetiza de forma maravilhosa o que penso sobre o tema.

“…a linguagem não é um simples instrumento, que o homem pode caminhar com ela, e que o Ocidente moderno perde o sentido de seu valor pelo excesso de uso que a submete. A linguagem do homem civilizado tornou-se completamente exterior a ele, pois é para ele apenas um puro meio de comunicação e informação. A qualidade do sentido e a quantidade dos signos variam em sentido inverso. As culturas primitivas, ao contrário, mais preocupadas em celebrar a linguagem do que em servir-se dela, souberam manter com ela essa relação interior que é já em si mesma aliança com o sagrado.” (Pierre Clastres. “O arco e o cesto”. Em: A sociedade contra o estado, 2003, p.143, Ed. Cosac Naify)

É curioso, mas o que sinto é que para abandonar as pretensões de saber todas as línguas, de amar todas as mulheres e ler todos os livros, o que basta é se fiar nisso de ler apenas uma mulher. De amar um livro. De lutar uma luta. E fazer disso o caminho da vida, coisa que os bytes nunca entenderiam. No meu caso, foi “Anna”, mas, e aí está a beleza, cada um faz um mundo do livro, da mulher, ou da luta que quiser.

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Published in: on 25/08/2011 at 03:01  Comments (8)  

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Sou um otimista sim não apenas da internet ou não da internet ‘per se’, mas da informação livre e de fácil acesso, além da capacidade de cada um de ser um jornalista de seu cotidiano e nos re-apresentar o que já vimos nos jornais sob a óptica do indivíduo — algo que humaniza todas as notícias.

    As pessoas que filmam as paradas com suas câmeras de celular e tudo o mais também estão dentro da revolução da difusão de informação e tecnologia do mundo moderno que mudará significativamente o mundo e as relações de poder neste século. É muito mais difícil hoje ter uma informação sigilosa sobre algo que afetará uma parcela significativa da população mundial. As informações vão vazar. Concordo entretanto que é exagero atribuir uma indicação causal direta às midias sociais, elas ajudam mas não são tudo, depende tbm da mesma rede de integração de pessoas que opera e sempre operou nas sociedades humanas.

    Ao contrário de vc eu não penso que a maioria das pessoas busca o anão metedor na rede. Sempre penso na “melhor utilização possível” que se pode fazer de determinada tecnologia num contexto humanista ou de aprendizado, crescimento individual e estou certo que um número alto e não desprezível de pessoas usa a rede assim. E a TV também. Ou qualquer tecnologia. Até as pessoas que procuram bizarrices sexuais na internet podem em alguns instantes procurar algo para se tornarem mais virtuosas intelectualmente na internet.

    Concordo com a simplicidade das coisas e até com tua lei narcisista.

    Há muita informação comprometida na internet, como a dos jornalistas-blogueiros a quem vc se refere e que possuem contratos a serem honrados. Mas há também muitos intelectuais autônomos que apresentam visões pessoais de várias coisas; temos vários conhecidos que fazem isso.

    Discordo veementemente da ideia de se sustentar sob um ou poucos livros ou obras ou línguas. Acho que o mundo contemporâneo se firma justamente sobre a questão da multiplicidade de opiniões e da crença de que um só não quer dizer nada; é simplesmente uma evidência anedótica que quase pode ser desconsiderada. Eu não quero entender nenhum literato ou nenhuma obra única, não quero ter uma ana karenina que seja pra mim como a bíblia, amém. O que estou interessado é em entender a evolução intelectual da humanidade ao longo das décadas e, isso sim, a influência de determinadas obras literárias nesse desenvolvimento. Pra mim a compreensão se dá justamente na multiplicidade, a maior verdade não está no texto do europeu, do negro ou do índio e sim numa visão integrada de todas essas visões para que entendamos a realidade da construção de uma terra como o Brasil — ou sobre a evolução da ciência ou da técnica, da literatura ou da história. Eu não leio mais livros inteiros e paro de lê-los quando acho que compreendi a moral geral que o cerca, prefiro interrompê-los ali e iniciar a leitura de outro que me deslocará de um centro falso e enviesado e me colocará mais uma vez sob a questão de ter que analisar todos os pontos de vistas para produzir uma síntese única que leve todas as informações em consideração e que não esteja escrita (ainda) em nenhum lugar. Esta também é uma forma de valorizar o meu próprio ponto de vista sincrético, sintético, único enquanto relato. O pensamento do UM livro, do livro certo, do melhor de todos, da verdade absoluta e da resposta definitiva ficaram no século XIX. Heisenberg, Einstein, Bohr e outros foram os primeiros a perceber que o mundo não tem e não deve ter uma única interpretação, é possível interpretá-lo de diferentes formas, todas corretas e de difícil comparação ou definição de “ah, esta é a melhor”. Newton não estava errado, nem Einstein. Um não substituiu o outro, eles são ambos usados em um mundo plural. Os caminhos para a virtude são múltiplos, alguns sem dúvida mais tortuosos que outros, mas há caminhos infinitos que chegarão lá.

    Não consigo absolutamente mensurar o que já ganhei pelas fuçações na internet, os downloads de filmes e documentários mil, falando dos mais diversos assuntos sob as mais diferentes visões. Às vezes entro numas e já assisti “2011, uma odisséia no espaço” várias vezes; ou matrix ou amnésia ou psicose ou guerra nas estrelas. Mas acho que a verdadeira força e beleza está diversidade e não na unidade.

    (sei lá, escrevi isso tudo num fôlego só, depois volto pra ler e ver se falei alguma bobagem)

    []s!

  2. Caramba, Rafa!

    Simples, sensível, e muito importante tudo isso.

    Senti que é um texto que devo ter sempre à mão, pra recorrer nas horas que o aperto da demanda infinita começar a querer ganhar.

    Exatamente como acontece com um livro, ou uma conversa, que dá conta de apaziguar esse “tudo”, sendo uma coisa só. Inteira.

    Impossível não pensar também em G.Rosa, e seu sertão, que é o mundo.

    Pensei nisso durante toda a leitura do seu texto.

    Parabéns, cada vez mais bonito.

    Elisa.

  3. Chico, é claro que você não falou bobagem nenhuma, e precisei de uns bons dias para pensar numa resposta. Quero tentar concentrar num ponto. Porque meu texto passeia por um desfiladeira perigoso, marcado por certas dicotomias que não são o ponto central da questão. Por exemplo, é claro que não temos que escolher entre ler um livro apenas na vida ou fuçar indefinidamente a internet. Ou por exemplo, é claro que o uso narcisico-sexual da internet não invalida sua verdade de construir novas formas coletivas de apreensão da realidade.
    Eu fiquei apreensivo se conseguiria expressar meu ponto de forma clara, se conseguiria colocar no texto a questão que me levou a escrever o texto, e acho que consegui.
    Pois na sua resposta eu percebi uma coisa que há um tempo já vinha pensando, identificando na sua posição. Ao ver a maneira como você se colocou aqui também consigo perceber a minha própria posição nesta discussão teórica e filosofica. Obviamente que, como trata-se de algo elementar, é impossível identificar certo ou errado, verdadeiro ou falso.
    Eu vejo que me apego cada vez mais a transcendência (que não significa Deus) e você se vale, com bom cientista cético a imanência. Para você tudo está aí, nas conexões, na idéias. A verdade está presente, basta ver, analisar, discutir. Para mim a verdade está la fora. Na sua posição não há uma diferença radical, não há lá fora, por assim dizer, não há o sagrado, no sentido daquilo que não pode ser substituíido, daquilo que é único. Por isso, forcei o argumento quando disse que poderia ler apenas “Anna Karienina” no sentido de que nesse livro, no “um” há para mim algo singular, que não pode ser substituído por nada.

    Quando você diz as seguintes frases, penso que a gente entra nesse debate:
    “Acho que o mundo contemporâneo se firma justamente sobre a questão da multiplicidade de opiniões e da crença de que um só não quer dizer nada; é simplesmente uma evidência anedótica que quase pode ser desconsiderada. ”
    e
    “Eu não leio mais livros inteiros e paro de lê-los quando acho que compreendi a moral geral que o cerca, prefiro interrompê-los ali e iniciar a leitura de outro que me deslocará de um centro falso e enviesado e me colocará mais uma vez sob a questão de ter que analisar todos os pontos de vistas para produzir uma síntese única que leve todas as informações em consideração e que não esteja escrita (ainda) em nenhum lugar. ”

    A questão da multiplicidade está posta, mas o que fazer com isso? Para mim o problema do mundo contemporaneo é esse, não a multiplicidade, mas o que fazer dela? O que importa?
    No fundo é claro que desconfio da sua posição, como desconfio da minha. Explico. Você mesmo falou ao final que viu alguns filmes várias vezes e provavelmente leu alguns livros várias vezes. Tenho certeza que há uma relação sua com algum livro, algum pensador que é única, que te constitui por assim dizer. Penso isso, posto que você se considera uma pessoa, com um olhar seu, e não apenas um processador de informações. E eu é claro, seria estranho ter um blog e ficar tanto tempo na net, se não acreditasse na informação e na multiplicidade de pontos de vista. Mas, o ponto do meu texto é que não podemos nunca nos esquecer dessa dimensão transcendental de textos, mas não só de textos, é claro, das pessoas, dos sentimentos. Meu argumento não é do tipo “Um ou outro”. Quando você diz que começa a ler uma coisa e quando entende o ponto geral passa para outro é exatamente essa dimensão de transcendência que, ao meu ver, se perde. É claro que leio artigos na diagonal, como todo pesquisador. Mas algumas obras não podem ser lidas assim… Elas nos convocam a outra relação, de outra ordem… É aí que vejo a transcendência. Nem tudo é informação. Rubem Braga, Cyro dos Anjos, Tolstoi, ou ainda Judith Butler tem um papel estruturador da minha forma de ser. Trata-se da criação de um mundo e não de dados.

    falou!
    rafa

  4. Elisa, fiquei feliz demais quando li seu comentário. Acho que você entendeu mais do que o que está no texto.
    O mundo de que falo é esse que é de cada um mesmo, que existe a partir de uma relação, singular, mas não solipsista, fechada. A gente precisar lutar contra o fechamento em si mesmo, mas também contra isso de querer mais, mais, mais…

    ó, volta sempre viu… sua sensibilidade me anima a persistir.
    beijo,
    rafa

  5. Só pra esclarecer então uma coisa que não acho que ficou clara na minha posição. Quanto entendo a argumentação básica, eu paro de ler o livro *naquele momento da vida* e parto pra outra. Vários livros eu já reli e tive novos insights e pensei outras coisas diferentes do que da primeira vez. Ler o livro inteiro é melhor do que ler o livro pela metade; sempre. Mas as vezes eu também não me sinto intelectualmente maduro pra compreender um livro e decido parar almejando voltar nele algum dia. O que eu tinha pra absorver naquele momento era aquilo. Ainda não consegui ler o Grande Sertão inteiro, por exemplo. A origem das espécies eu já avancei bastante, mas nunca terminei. Outras vezes eu pensava que o livro ia tratar de um assunto que eu achava muito importante quando na verdade depois de ler percebi que ele versava sobre um assunto que eu achava menor com relação a uma determinada discussão e daí eu o considerei irrelevante. Outras vezes, eu não gostei da lógica aplicado pelo autor. Outras vezes ainda, eu fui surpreendido pelo autor me mostrando que o tema menor que eu achava irrelevante era, na verdade, verdadeiramente importante para entender determinada questão. E por aí vai…

    Claro que toda pessoa monta seus pilares intelectuais em cima de um número limitado de obras e que ele está sempre devendo ou se parecendo com estes. No entanto eu acho que a diversidade na construção do intelectual é altamente benéfica e libertadora. Nesse ponto — e também na questão de compreender a contemporaneidade — eu acho que todo intelectual precisa estar perto do jornalismo.

    Eu também não me considero — absolutamente — tão materialista quanto vc me pinta. Eu acredito muito na beleza do mundo, do universo e no inexplicável, nos padrões emergentes, no instante da concepção de um novo indivíduo, nos atratores estranhos, na influência da mitologia na formação da sociedade. Eu tenho certa convicção de que a ciência só explica uma parcela ínfima das regularidades existentes no universo. Eu tenho um enorme senso de apreciação estética sobre beleza contida na inexplicabilidade do mundo e na maravilha dos organismos vivos, na própria apropriação do texto e da informação e na transformação disso em ação social. E finalmente, a vida. A vida é muito mágica, o metabolismo, os genes e as enzimas. A vida é bela e inexplicável: não sou biólogo à toa.

  6. Pois é Chico, no seu primeiro comentário reforlou essa impressão bem materialista/imanentista mesmo de voce, mas nesse segundo algumas coisas ficam mais claras.
    Na verdade, o único ponto que importa, e por isso o título breve é “Leia UM livro” é demarcar a importância desse livro, seja Grande Sertões, a Origem das Espécies, Parque dos Dinossauros, Abdias ou Turma da Monica. Ou seja, creio na pluralidade sim, não acho que podemos abrir mão das informações e simplesmente pegar algum livro desses e julgar tudo que nos cerca.
    Obviamente, te conhecendo não de hoje, e sabendo que antes de tudo você é movido pela paixão, pela paixão em conhecer, em se envolver com as coisas, com a musica, com a ciencia com o saber não o tomava por esse materialista todo. Foi a sua resposta no primeiro comentario que trouxe mais elementos para pensar isso. Porque eu acho que a paixão, essa força que nos leva a agir, a se encantar, a pensar, preocupar, etc… é algo que nasce de uma relação forte, constitutiva, interessada. Como psicólogo, o que me interessa e circunscrever essa relação que a despeito do tempo e do espaço se mantém, é claro que nunca da mesma forma, nunca estática. E nesse final você deixa claro essa força “Não sou biólogo a toa…”.

  7. Sempre sensível e oportuno.
    Uma alegria ler esse texto e apaziguar o mundo por um momento. Que venha Anna Karienina.

    Abraço meu velho

  8. Fred, valeu pelo comentário. Me emocionei aqui… Espero que goste de “Anna”. Forte abraço.


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