Entre

Olho a porta entre aberta. Nus barulhos da casa, visão alguma dela. Mais uma vez entre. Antes entre o banheiro e o quarto. Antes entre o pecado e a afirmação. Antes entre a ingenuidade e o cinismo. Agora entre o calornaval. Ah, esse segundo duas semanas entre o desespero e o encontro, entre angústia-incerteza e felicidade-besta, estúpida e bovina. Quase mesmo criminosa, aflitiva e também culpada. Nada de flores, nada. Uma intranquilidade sombria. Um desespero mesmo por tudo aquilo que agora não é, não está, não tem. Ou tem, mas acabou, ou está em falta. Olhando a porta entre-aberta, lembrando de outras portas de outros lugares de outros. Entre. O barulho do banheiro que não é. Que lembra a espera daquela não aquela. É outra. A porta aberta, ela vem e acaba entre. Acaba na hora. Ela chega, acaba. Um entre que é o fim. A porta entre-aberta, quantos anos a porta entre-aberta, quantos minutos. Quantas vezes do banheiro para o quarto, quantos minutos, 2. Escova, água, fecha torneira, água, descarga, água. Sons de ela já vem. Ainda não, ainda entre.

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Published in: on 06/02/2012 at 16:25  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Muito bonito, poético, sintético; é incompleto mas diz tudo; angustiante, alzheimeriante.

  2. Valeu Chico, feliz feliz com suas palavras… há muito tempo não envereda pela poesia. ela foi me buscar no meio dessa angústia louca.


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