Mr. Orwell, ácido #4

“Existe na vida de todas as pessoas um curto período em que seu caráter se fixa para sempre; no caso de Elizabeth, foram esses dois anos de íntimo convívio com os ricos. A partir de então, todo o seu código de valores podia se resumir a uma única idéia, a uma noção simples. O que é Bom (e ela chamava de ‘adorável’) é sinônimo de caro, elegante, aristocrático; e o que é Mau (‘intragável’) é o barato, o ordinário, o pobre, o laborioso. Talvez seja para ensinar esse credo que existem as escolas caras para moças. O sentimento foi se tornando mais sutil à medida que Elizabeth ficava mais velha, difudindo-se por todos os seus pensamentos. Tudo, de um par de meia à alma humana, era classificado como ‘adorável’ ou ‘intragável’. Infelizmente – uma vez que a prosperidade do Sr. Lackersteen não durou muito – foi o ‘intragável’ que acabou predominando em sua vida”.

(Dias na Birmânia, p. 111-2, George Orwell)

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Published in: on 27/12/2012 at 21:52  Deixe um comentário  

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