Analíticas #2

Desejo

As frases, no meio de páginas de certos livros, saem do papel e se impregnam nos meus cabelos, entram no meu nariz e entortam meus óculos. Ler foi e continua a ser processo de vida, de padecer e escapar do sofrimento. Romances literários me guiam nos estudos acadêmicos. Referência para citação pedante de pé de pagina me explica o quê venho fazendo de errado na vida. É na experiência de ler, sentir e pensar que me desencontro.

Ao momento Rubem Braga foram se sucedendo mulheres e homens feitos de papel, vazio e tipo-grafias. Mas, e sempre demarco isso, começar com Braga não tem nada de cronológico, talvez de lógica. Falo isso não apenas para prestar conta, mas para deixar claro o limite. Não foi a poesia moderna de Drummond, não foi a prosa delirante e lírica de Guimarães Rosa, não foi a filosofia brega de Nietzsche, ou o pessimismo romântico de Freud, não. Foi pela visão pequeno burguesa, amorosa, lírica, erótica, devaneante, carioca e crítica-romântico-cínica de Rubem Braga. Tolstoi no meio, se impôs pelo o arrebatamento do clássico, o clássico posto que perfeito, forte. Com Orwell, pela esquerda combatendo a injustiça e Gárcia-Marquez à frente lidando com os problema do amor, encarava, solitário, a danada. E aí chegaram as mulheres, Agnes Heller e Hannah Arendt. Pela filosofia política passei a me questionar, como ja falei disso em outro momento.

Lendo A Vida do Espírito, livro póstumo de Hannah Arendt me deparei com a citação abaixo, de Heidegger. A verdade é que com essa citação encaminhei uns bons meses de análise. Um sofrimentozinho chato e covarde ganhou nome, sentido e foi embora, por um tempo.

“A auto-observação e o autoexame nunca trazem à luz o eu ou mostram como nós mesmos somos. Mas, ao querer e também ao não-querer, fazemos exatamente isso, aparecemos em uma luz que é em si iluminada por um ato de vontade. Querer sempre significa: trazer a si mesmo (…). Querendo, encontramo-nos com quem somos autenticamente’. Logo, ‘querer é essencialmente querer o próprio eu, mas não um eu dado que é aquilo que é, mas o eu que quer tornar-se aquilo que é (…)”   

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Published in: on 25/09/2013 at 23:41  Deixe um comentário  

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