América Latina #3

1968

Cidade do México

REVUELTAS

Tem um longo meio século de vida, mas a cada dia comete o delito de ser jovem. Está sempre no centro do alvoroço, disparando discursos e manifestos. José Revueltas denuncia os donos do poder no Mexico, que por irremediável ódio a tudo o que palpita, cresce e muda, acabam de assassinar trezentos estudantes em Tlatelolco:

– Os senhores do governo estão mortos. Por isso matam.

No México, o poder assimila ou aniquila, fulmina com um abraço ou com um tiro: os respondões que não se deixam meter no orçamento público são metidos na cadeia ou no túmulo. O incorrigível Revueltas vive preso. É raro que ele não durma em cela e, quando não é lá, passa as noites estendido em algum banco de praça ou num gabinete da universidade. A polícia o odeia por ser revolucionário e os dogmáticos, por ser livre; os beatos de esquerda não lhe perdoam sua tendência aos botequins. Há algum tempo, seus camaradas, puseram nele um anjo de guarda, para que salvasse Revueltas de toda tentação, mas o anjo terminou empenhando as asas para pagar as farras que faziam juntos.

(p.275)

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1969

Bogotá

OS GAMINES

Têm a rua como casa. São gatos no pulo e no bote, pardais no voo, galos valentes na briga. Vagueiam em bando, em esquadrilhas; dormem feitos cachos, grudados pelo gelo da madrugada. Comem  o que roubam ou as sobras que mendigam ou o lixo que encontram; apagam a fome e o medo aspirando gasolina ou cola. Têm dentes cinzentos e caras queimadas pelo frio.

Arturo Dueñas, da turma da Vinte e Dois, vai abandonar o bando. Está farto de dar a bunda e levar surras por ser o menor, o percevejo, o manteiga derretida; e decide que é melhor se mandar sozinho.

Uma noite dessas, noite como qualquer outra noite, Arturo desliza debaixo de uma mesa de restaurante, agarra uma coxa de galinha e erguendo-a como estandarte foge pelas ruelas. Quando encontra um canto escuro, senta-se e janta. Um cãozinho olha para ele e lambe os beiços. Várias vezes Arturo o expulsa e o cachorrinho volta. Se olham: são iguaizinhos os dois, filhos de ninguém, surrados, puro osso e sujeira. Arturo se resigna e oferece.

Desde então andar juntos, caminhaalegres, dividindo as sortes e os azares. Arturo, que nunca falou com ninguém, conta suas coisas. O cachorrinho dorme acocorado a seus pés.

Em uma maldita tarde a polícia agarra Arturo roubando pão, arrasto-o para a Quinta Delegacia e ali lhe dão uma tremenda de uma sova. Tempos depois Arturo volta à rua, todo maltratado. O cachorrinho não aparece. Arturo corre e percorre, busca e rebusca, nada. Muito pergunta e nada. Muito chama, e nada. Ninguém no mundo está tão sozinho como este menino de sete anos que está sozinho nas ruas da cidade de Bogotá, rouco de tanto gritar.

(p.277-8 )

(O século do vento – Eduardo Galeano. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM  Pocket)

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Published in: on 18/06/2013 at 16:48  Deixe um comentário  

América Latina #2

protesto_folha

(Vendo as imagens da violência policial contra os manifestantes em São Paulo, nos últimos dias, lembrei-me dessa passagem abaixo desse belo livro do Eduardo Galeano, sobre a historia da América Latina. Os donos do poder são sempre os mesmos, estão sempre atrelados ao grande capital e estão sempre perpetuando uma violência inimaginável)

1968

CIDADE DO MÉXICO

Os Estudantes

invadem as ruas. Manifestações assim, no México, jamais foram vistas, tão imensas e alegres, todos de braços dados, cantando e rindo. Os estudantes gritam contra o presidente Díaz Ordaz e seus ministros, múmias com bandagens  e tudo, e contra os demais usurpadores daquela revolução de Zapata e Pancho Villa.

Em Tlatelolco, praça que já foi matadouro de índios e conquistadores, acontece a cilada. O exército bloqueia todas as saídas com tanques e metraladoras. No curral, prontos para o sacrifício, os estudantes se apertam. Fecha a armadilha um muro contínuo de fuzis com baioneta calada.

Os focos luminosos, um verde, outro vermelho, dão o sinal.

Horas depois, uma mulher busca o filho. Os sapatos deixam pegadas de sangue no chão.

(299 e 347).

p.273

(O século do vento – Eduardo Galeano. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM  Pocket)

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Published in: on 14/06/2013 at 11:15  Deixe um comentário  

Cena de Cinema #3 ou Analíticas #1 – O homem que não estava lá

 

Nenhuma cena em momento algum, nunca. Nenhum outro filme mexeu tanto comigo, nenhum outro filme me colocou tanto na mira, machucou tanto meu pobre coração como a cena acima. Nada absolutamente nada. Saí do cinema com a certeza de que o perverso do François Ozon pôs a cena na tela para maltratar meu pobre coração, meus sentimentos. Até hoje, 6 ou 7 anos depois, revendo essa cena meu peito aperta, o coração bate acelerado, e em pensamento desejo um novo final para aquilo que vi na tela. Mas não. É preciso ser forte e ver e rever, sentir e (tentar) entender. Por alguns anos a cena rodeou, espreitou, deu medo. Numa noite qualquer ela voltava, sem aviso. Depois partia e restava longe por meses, às vezes anos. Mas a lembrança sempre estava por aí. Hoje me sinto mais forte para lidar com isso.

O filme francês 5X2 é lindo e forte. Um murro no ideal romântico de um amor tranquilo… Não companheiro a vida não é tranquila. Porém acho impossível falar e pensar qualquer coisa desse filme, com seus vários momentos delicados, sem me prender na cena acima. E não acho isso bom, muito pelo contrário, essa cena de quase 10 minutos é uma prisão para mim. Uma prisão completamente imaginária, na qual, percebo agora, nunca consegui mesmo escapar. Por isso, se você ainda não viu a cena volte lá e a veja, por favor, esse texto não faz sentido algum para quem não viu a cena.

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A história do filme é simples, acompanhamos cinco cenas da vida amorosa de um casal. Momentos importantes, divórcio, brigas, casamento, filho. O homem se mostra um fraco, um babaca, um homem. A mulher é forte e bela. Valente menina diria o Braga. A história está de trás para frente, começamos pelo fim do amor para chegar ao seu princípio.  Até “A” cena do casamento via o filme com gosto, um filme sensível e inteligente. Porém, enfim, sem nenhum tipo de aviso a cena quebrou tudo. Ela quebrou certa relação satisfatória, ou confortável, que mantinha comigo mesmo. Essa cena criou um medo que nunca havia tido, um sentimento mesquinho, grosseiro e vil. É ela que representa todos os meus ciúmes, minhas angústias amorosas. Revendo-a, somente agora, percebo que há ali ainda mais do quê gostaria de ver, de saber.

Vamos à cena. Vemos o casamento, o casal serelepe e feliz bailando, pois a vida é bela e tudo é perfeito. Love is in the air. Logo, o casal se dirige ao quarto para a noite de núpcias. Ele claramente bêbado, trocando as pernas. Ela desejando-o. Eles vão se beijando. Ela vai tirar o vestido de noiva e se “preparar” para o marido. Ele, tonto, dorme nesse tempo. Ela ainda chega e tenta algo, mas ele dorme. A moça está feliz, olha-o com olhos ternos, mas se frustra. Coloca um jeans e sai para dar uma volta. Nada demais. Ela então, caminhando, sorri ao ver os restos do casamento, seus pais apaixonados dançando no salão. O amigo flertando com o garçom. Ela então se dirige ao lago e lá se senta. Em pouco tempo uma figura masculina chega do meio do mato. Um americano com jeito de galã. Ele chega e se senta ao seu lado. Quase não se falam, ela pressente o perigo, mas fica. Ele oferece um Malboro ela aceita, “que mal pode haver?”. Em 10 segundos ele já a encara com lascívia e ela entende tudo. Olha para ele também, mas agora vê o risco e vai embora. Ele a segura com força e pede um beijo. Ela hesita, quer ir embora, ele a segura. Ela ainda resiste, não grita, mas não quer. Ele a olha. Beija sua barriga e acaricia. Ela pensa e decide. Beija-o com calor, e se lança a ele de uma vez. Corte. Uma porta bate, ela corre, volta ao quarto do amado com pressa (teme que ele saiba? Teme que ele não esteja mais lá? Sente sua falta?). Ele dorme. Ela se aproxima e o beija. Sonolento e amorosamente ele recebe os beijos. Ela diz: “je t’aime, je t’aime, je t’aime…”.

A palavra chave aqui é identificação. Em determinada etapa da vida, quando vi esse filme, já não conseguia mais me identificar com o amante norte americano. O estrangeiro sexualizado. Seria fácil me ver nele quando era mais jovem. Pensaria aí nessa “mulherzinha gostosa dando sopa”. Mas não dá, não consigo. Só consigo me identificar com o marido, o tolo, que dorme e depois ainda recebe, de bom grado, beijos na face e alguns “je t’aime”. Não conseguiria também me identificar com a mulher, infelizmente. O melhor seria não me identificar com ninguém, posto que não tenho nada a ver com aquilo, mas isso também não é possível. Perceba, não tiro dessa cena nenhuma lição moralista, não a culpo e não culpo ninguém pelo desejo. Nada disso, acho a vida linda. E é o marido que dorme. O amante surge do meio do nada, um acaso feliz. A mulher deseja. É vida o que há nessa cena de amor, e por isso ela é uma prisão para mim, pois eu sou o homem que não está lá. O homem que dorme. E jesus, o que significa o retorno dela correndo e dizendo eu te amo? O que significa a primeira recusa e a aceitação posterior? No quê ela pensa? Não sei, mas também não é difícil saber… Mas o pior são os pequenos detalhes da cena, detalhes que remetem ao simbólico, logo à aposta, ao eterno. São esses detalhes que atormentam e voltam. Por exemplo, não poderia ela estar usando outra lingerie que não aquela, aquela escolhida para celebrar a noite de núpcias? E ela tem que voltar correndo e amorosa, não poderia andar cautelosamente, tomar um banho e deitar silenciosamente na cama?

Quando saí do cinema, depois desse filme, estava inconsolado por dentro. A virada simbólica se consolidara. Rubem Braga perdeu. Não poderia mais ser o amante bonito, leviano e sexy, mas sim o marido, ainda mais um que dorme. Já tinha a certeza, e continuo com ela, de que a cena foi projetada para maltratar nós homens neuróticos heterossexuais. François Ozon, diretor assumidamente gay, nos dá esse tapa de palma aberta, esse tapa que estala. É mais um desses golpes copernicanos. Se o sol não é o centro do mundo, se o homem não é uma espécie nada especial no reino animal, e se o sujeito já não é nem dono de sua casa, o desejo da mulher também não lhe pertence, colega. Nunca. O desejo vai pro turista, o desejo é do latin-lover, do passageiro distraído, é o vazio. O desejo é vento.

Published in: on 07/06/2013 at 04:41  Deixe um comentário  

De dentro do ônibus

Escutando minhas músicas, minhas melancolias ressonando nas charadas e cortes, nos gritos calados.

No metrô a caminho de Copacabana. Escutando também minhas músicas, brasileiras músicas, lembro-me de passar pelas entupidas estações, talvez Chandni Chowk, Central Secretariate ou quem sabe Kashmere Gate. Nessas estações de metrô de Nova Déli um dia parei para observara aquelas pessoas todas. Os indianos, cada um de um jeito, cada um com uma roupa e uma crença diferente. Monges budistas, mulheres tribais com roupas tão coloridas,  homens grandes e seus vistosos bigodes, esses misteriosos sikhs. Conversando com uma amiga falei que alguns Sikhs lembram tanto bandido de filme de James Bond. Ela não me achou um entnocentrista sem noção e ainda confidenciou, com graça: “É só estilo mesmo, eles são ótimos”. Dentro do vagão, olhando eles me olhando e pensando, “que bom estar aqui”. Eu, ali, quase distraído, quase banal, quase só pegando um metrô pra ir pra casa. Dentro do metrô a caminho de Copacabana me lembrei desses outros dias, desse outro metrô.

Published in: on 29/05/2013 at 21:07  Deixe um comentário  

América Latina #1

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Tem sido bonito acompanhar as estórias da América Latina pela sensibilidade de Eduardo Galeano com o seu “Memórias do Fogo”. Comecei pelo último livro, “O século do Vento”, sobre o século XX.

No início do livro tem uma seção chamada: “Este livro”, que assim se explica:

É o volume final da trilogia Memórias do fogo. Não se trata de uma antologia, e sim de uma criação literária, que se apoia em bases documentadas, mas se move com inteira liberdade. O autor ignora o gênero ao qual pertence esta obra: narrativa, ensaio, poesia épica, crônica, depoimento… Talvez pertença a todos e a nenhum. O autor conta o que ocorreu, a história da América e sobretudo da América Latina; e gostaria de fazê-lo de tal maneira, que o leitor sinta que o acontecido torna a acontecer enquanto o autor conta. 

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1910 – Colônia Maurício.

TOSLTOI

Desterrado por ser pobre e judeu, Isaac Zimerman veio parar na Argentina. A primeira vez que viu um chimarrão achou que era um tinteiro, e a caneta lhe queimou a mão. Neste pampa levantou seu rancho, não longe dos ranchos de outros peregrinos também vindos dos vales do rio Dniester; e aqui teve filhos e colheitas.

Isaac e sua mulher têm muito pouco, quase nada, e o pouco que têm é tido com graça. Uns caixotes de verdura servem de mesa, mas a toalha parece sempre engomada, sempre muito branca, e sobre a toalha as flores dão cor, e as maçãs, aroma.

Uma noite, os filhos encontram Isaac sentado frente a esta mesa, com a cabeça nas mãos, derrubado. À luz da vela descobrem sua cara molhada. E ele conta. Diz a eles que por acaso, por puro acaso, acaba de ficar sabendo que lá longe, lá na outra ponta do mundo, morreu Leão Tolstoi. E explica para eles quem era esse velho amigo dos camponeses, que tão grandiosamente soube retratar seu tempo e anunciar outro.

(O século do vento – Eduardo Galeano. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM  Pocket. pp51)

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1923, El Callao

MARIATEGUI

Depois de viver alguns anos na Europa, José Carlos Mariategui regressa ao Peru, de navio. Quando foi embora era um boêmio da noite limenha, cronista de turfe, poeta místico que sentia muito e entendia pouco. Lá na Europa descobriu a América: Mariategui encontrou o marxismo e encontrou Mariatégui, e assim soube ver, à distância, de longe, o Peru, que de perto não via.

Mariatégui acha que o marxismo integra o processo humano tão indiscutivelmente como a vacina contra a varíola ou a teoria da relatividade, mas para peruanizar o Peru é preciso por começar por peruanizar o marxismo, que não é catecismo nem cópia a carbono, e sim, a chave para entrar no país profundo. E as chaves do país profundo estão nas comunidades indígenas despojadas pelo latifúndio estéril mas invictas em suas socialistas tradições de trabalho e vida.

(O século do vento – Eduardo Galeano. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM  Pocket. pp93)

Published in: on 27/05/2013 at 19:36  Deixe um comentário  

India #2 / Notas doutorais #8 – Alienação, ideologia, falsa consciência: Quem disse?

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Amita Baviskar é uma pensadora vigorosa, jovem, muito sensível e forte, dessas pessoas que o que falam, precisam dizer apenas uma vez. Uma figura que me impressionou quando a conheci em Nova Déli, no início desse ano. Suas palavras e os caminhos do pensamento que essas palavras nos guiam, mostram um mundo interessante e complexo. Além do que já vinha absorvendo pelo se texto senti algo também em sua presença, no curto tempo em que estivemos juntos. É difícil explicar, mas tem a ver com a maneira simples como ela, enquanto conversávamos no jardim da Delhi University, pediu licença para mim e parabenizou o jardineiro pelas belas flores. Essa delicadeza sob a qual vislumbramos a mulher da luta. Muito elegante, em momento nenhum de nossa hora de conversa levantou a voz ou o tom, ainda que pudesse tê-lo feito, menos por uma descortesia minha e mais pelo conteúdo do diálogo. É hoje uma das vozes mais respeitadas no debate socioambiental indiano. Em torno dela articulam-se pesquisadores e pensadores que tem produzido muita coisa interessante e que tem feito o que devem sempre fazer os “pensadores”, pensar. Não repetir fórmulas, não agradar agências de fomento, não fugir das contradições da vida, do sistema, por atalhos duvidosos. Atravessar sim os vales de  crítica sem medo do que se vai encontrar, sem pensar na saída, numa resposta. Acho que a academia, e as ciências humanas e sociais em geral, devem se posicionar politicamente sim, responder afirmativamente contra a injustiça a dominação e a violência. E os movimentos sociais devem bater e criticar as políticas da universidade, em todos os campos. Não defendo, em hipótese alguma, uma ciência que acha que vive no reino encantado e brumoso da abstração, sem restar presa ao mundo real com suas contradições e problemas.  Mas dito isso, não acho que ajudamos muito ao dar a resposta que os movimentos querem escutar, dar a resposta que parece politicamente  interessante. Devemos entender o caminho que trilhamos, as implicações políticas e nossa responsabilidade. Aceitar as consequências que decorrem de nossas escolhas. Escreve Amita Baviskar: “A busca continuada por uma narrativa singular para explicar as lutas por recursos naturais é inexplicável. Tal quadro analítico, eu diria, toma como valor a simplificação da representação política que os movimentos sociais deveriam expressar  a fim de ter coerência. No entanto, esta reprodução acrítica de uma demanda política, geralmente vista como um gesto de solidariedade, ignora o difícil, criativo trabalho de construção de identidades políticas, forjamento de alianças e superação das diferenças” (Amita Baviskar , introdução – Contestested Grounds, 2008, p.5).

Em abril de 2012 fui para o meu trabalho de campo. Cheguei em Conceição do Mato Dentro, armado por um lado de uma teoria ecológica baseada na justiça ambiental e por outro numa literatura crítica de identidade política e movimentos sociais. Fui lá para entender como os moradores da região, e especialmente os jovens, vivenciam os efeitos da instalação de um grande projeto minerário por lá. Pensava em termos de movimento social, resistência, solidariedade. E vi de tudo. Vi senhores e senhoras na zona rural esperando angustiados o funcionário da Anglo American que apareceu ano passado dizendo que voltava “na semana que vem” pra resolver o problema da terra, e nunca mais voltou. Vi mulheres com medo de andar por caminhos por onde sempre andaram porque agora, nas pequenas vias, transitam centenas de homens, funcionários de dezenas de empresas. Vi gente na cidade com medo de tudo, conversei com o comandante da PM que mostrava os dados do aumento da violência. Vi pessoas acreditando em promessas da empresa e criando expectativas douradas em relação ao futuro. Conversei com vários moços que sonham tornar-se motoristas de caminhão para serem contratados por “essas firma”. Vi famílias brigando por causa de terra e dinheiro, vi gente mudando no meio da madrugada, para não dizer por quanto vendeu sua terra para o primo/vizinho com quem conviveu por mais de 20 anos. Vi também a escola noturna da cidade cheia, cheia de adultos, mulheres e homens que voltaram a estudar por conta das oportunidades de emprego. Vi um povo com mais dinheiro, meninos e meninas de roupinha e confiança novas. E vi muita gente falando que tudo na vida, como na mineração, tem um lado bom e um lado ruim.

Eu não poderia, por uma incapacidade ética e existencial, partir dos meus princípios políticos para selecionar o que vi e o deixei de ver. Não poderia desconsiderar as coisas positivas, poucas, que vi e ouvi. Desconsiderar a diretora de escola dizendo que antes dos empregos chegarem, as crianças vinham com fome para aula e agora isso não acontece mais. Como fingir que isso não foi dito, também? Como também não posso deixar de me angustiar com uma senhora querendo saber se a comunidade, o distrito na qual ela sempre viveu, vai acabar ou não? Pessoas que moram looonge da mina, em terras que não são de nenhum interesse da empresa, mas que acham que a empresa vai comprar sua terras por uma bagatela. Gente que não sabe, porque não é informada sobre seus destinos. Nesse caso, pior do que uma resposta afirmativa é esse não saber. E quantos são os que acreditam na promessa difundida por estado e empresa de que o desenvolvimento tá aí, batendo na porta, e só não abre a porta quem não quer.

Enfim, voltei a pensar nessas coisas todas quando vi esse vídeo aqui debaixo com uma entrevista da Amita Baviskar, quando ela fala sobre sua pesquisa de doutorado. Neste trabalho Amita discute a resistência de moradores de uma região indígena na India contra a construção de uma grande barragem no rio Narmada. Acho importante a parte final, na qual ela questiona a política de representação deste debate, colocando uma special spicy no olho das Ongs e de certos movimentos sociais que sustentam toda a luta contra o “desenvolvimentismo” nas costas da imagem dourada do povo feliz e alegre que vive em “harmonia” com a natureza. É um alento para pararmos de protelar e enfrentar as contradições na luta política e do debate acadêmico.

http://elearning.lse.ac.uk/dart/interviews/interview.php?flvfile=baviskar_07_768Kbps.flv

Transcrevo a passagem logo no final do vídeo acima (05:05):

“So there I became interested in this question of the politics of representation. Why some movements makes claims about tribal groups, about indigenous people as embodying some ecologically noble savages? Why there is this great discrepancy between those peoples actual lifes and how those lifes are represented? And I came to believe that politics of representation has more to do with the need of these support groups and metropolitan audiences then what tribal people themselves thaugth it was important”

[Então eu me interessei pela questão da política da representação. Por que alguns movimentos afirmam que os grupos tribais, os indígenas, incorporam algum tipo de nobre selvagem do ambientalismo? Por que há uma grande discrepância entre as vidas reais dessas pessoas e a maneira como essas vidas são representadas? E eu vim a acreditar que a política da representação tem mais a ver com a necessidade dos grupos de apoio, das audiências metropolitanas, do que com o que os indígenas realmente pensam que é importante].

Published in: on 24/05/2013 at 17:18  Deixe um comentário  

ORAÇÃO AO AMOR

Para Rita,

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Quando encontrar uma mulher ou um homem, por quem julgues estar apaixonado.

Quando se deparar com essa outra pessoa, essa que você julga amar, e amar é apenas infinito. Embarcação que nunca chega, sem princípio. Quando julgar ter encontrado tal pessoa, faça o seguinte teste. Conjugue tua mulher/homem/amante na oração “o passado da mulher amada” de Rubem Braga. Leia a oração em voz alta olhando para seu objeto de amor. Braga, talvez sem a intenção, criou não “apenas” uma das mais belas crônicas já escritas, mas todo um complexo sistema ético-lírico-existencial que permite, objetivamente, entender se há ou não amor.

 Se, frente ao seu objeto de amor, consegues dizer a seguinte oração, olhando nos olhos da amada, capturando nesse momento todos os enleios provocados pelo texto, sim! Aí está o amor. Caso contrário, continue procurando. E o mais importante não desista como fazem muitos, trancando-se num quarto escuro, ou ainda deleitando-se com prazeres confortáveis e rotineiros. Busque teu infinito!

Assim diz a oração à amada:

“Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que te assustou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela, e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranqüilo, e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: “moça linda…”; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.”

E se passado tal momento de devoção conseguires criar uma versão singular para tal oração, colocando tuas palavras nos sentimentos de amor, dor, gozo, tédio, riso, felicidade eterna, nos sentimentos dela, dela e só dela, sem você, quando você não existia, aí sim… Aí terá superado esta barreira tão difícil. Saber que ela ou ele não é você. Mas será que você conseguirá bendizer todos os amores passados de sua grande paixão? Todas as dores, os momentos de fraqueza e vergonha? E o pior, conseguirá olhar nos olhos dela ver e agradecer pelas sacanagens ocultas em noite de delírio e entorpecimento dos sentidos, todos? Conseguirás não apenas aceitar e mais ainda, bendizer, a existência daquele rapazinho que fez seu docinho de coco, revirar os olhinhos de prazer? Ou dirás, na próxima vez que encontrar o outro, ainda que em pensamento, muito obrigado por ter amado essa mulher tanto, a ponto dela nunca mais te esquecer? Aceitará em seu coração que houve um ainda escolhido apenas por ser bonitinho, mais do que você, ou ainda aquele que você nunca vai entender o que é que ela viu nele? E o cabeludo que apareceu na rua dela antes de você? Conseguirá sentir, mais do que pensar, que fossem outros, fosse nenhum, não seria você? Foram eles também que te colocaram aqui, agora, na frente dela! Nós nos querendo, nus: desejando.

 

Published in: on 18/05/2013 at 02:08  Comments (1)  

India #1

Aldeia próximo a Sambalpur, Orissa,India.

Permaneci na India por pouco menos de três meses. A experiência de realizar parte dos meus estudos de doutorado neste país transcendeu facilmente as categorias disciplinares. Depois de um bom tempo afastado desse blog recomeço essa estória com causos indianos, reflexões e sentimentos dos mais variados. Alguns contém filosofia, outros curry e lássi. Penso hoje, que eu já me encontrava na India ainda no longo processo entre aviões, aeroportos, esteiras, escada rolante. Ao descer em Mumbai, lugar no qual pegaria o último trecho aéreo fui tocado por uma cena bonita, por onde começo essa seção.

A miscelânea de cidadanias presente no vôo entre São Paulo e Dubai transformou-se, quando subi no avião para Mumbai, num mosaico colorido de estilos, longos saris, crianças, homens sizudos de dignos bigodes. No aeroporto de Mumbai seguimos para pegar as malas despachadas. No trajeto, em determinado momento, vi formar-se uma pequena confusão e uma fila na descida de uma escada rolante… Parei também sem entender, mas vi que aos poucos a pequena fila foi se desfazendo. Quando cheguei a botar o pé na escada rolante vi uma senhora parada, na frente da escada, e entendi que era ela a causa do atraso. Na hora que passei pela senhora escutei-a dizendo “I CAN”T”. Olhei para o lado e a vi, uma mulher indiana já idosa,  em trajes formais, jeito simples. Ela tentou utilizar aquele estranho aparelho, mas não conseguiu. Disse “I can’t” e na mesma hora se voltou para pegar a escada convencional, enquanto a pequena fila se desfazia…

Achei de uma banalidade comovente “tudo” isso. Eu que venho me degladiando com interpretações e conflitos em torno do processo de “modernização”, não poderia deixar passar em branco essa recusa. Senti que uma mão invisível, uma voz e um gesto poderoso que me diziam claramente. “Bem vindo Rafael, nós aqui, estamos felizes com sua presença. Suas preocupações e seu trabalho é também algo importante para nós. Bom trabalho!” No jeito intranquilo daquela senhora encontrei um primeiro vestígio do que fui buscar. Era preciso dar o próximo passo, em qualquer escada.

Published in: on 01/05/2013 at 20:03  Deixe um comentário  

Mr. Orwell, ácido #4

“Existe na vida de todas as pessoas um curto período em que seu caráter se fixa para sempre; no caso de Elizabeth, foram esses dois anos de íntimo convívio com os ricos. A partir de então, todo o seu código de valores podia se resumir a uma única idéia, a uma noção simples. O que é Bom (e ela chamava de ‘adorável’) é sinônimo de caro, elegante, aristocrático; e o que é Mau (‘intragável’) é o barato, o ordinário, o pobre, o laborioso. Talvez seja para ensinar esse credo que existem as escolas caras para moças. O sentimento foi se tornando mais sutil à medida que Elizabeth ficava mais velha, difudindo-se por todos os seus pensamentos. Tudo, de um par de meia à alma humana, era classificado como ‘adorável’ ou ‘intragável’. Infelizmente – uma vez que a prosperidade do Sr. Lackersteen não durou muito – foi o ‘intragável’ que acabou predominando em sua vida”.

(Dias na Birmânia, p. 111-2, George Orwell)

Published in: on 27/12/2012 at 21:52  Deixe um comentário  

ANTÍTESES, EMBARAÇOS, DÚVIDAS, ANTAGONISMOS, PREGUIÇAS E DESVARIOS DO DEBATE SOCIOAMBIENTAL: REFLEXÕES PÓS-CÚ-PULA DOS POVOS

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Ao me interessar analiticamente e politicamente pelo movimento ambiental, passei a ser perseguido incansavelmente pelos termos do título acima. A questão ambiental, ou socioambiental, ou ecológica (dependendo tanto do foco, do caráter ou da posição ideológica de quem escreve) é um campo marcado pela exuberante diversidade de confusão. Não pretendo esgotar tais confusões (ó terrível pretensão), apenas queria tentar escaramuçá-las a partir dos debates que presenciei na recém-findada cúpula dos povos, evento “oficial paralelo” ao encontro oficial da ONU para discutir a questão do meio ambiente, a RIO + 20. Baseio-me também em conversas com amigos antenados, ou não, neste debate. Meu problema é menos com o tema em si, e mais em relação à maneira como as pessoas se inserem neste debate, como se todas as escolhas fossem possíveis e intercambiáveis, ao gosto do freguês, numa esquizofrenia hibridizada. Tipo assim: “Eu quero….         é      …        calma aí. Ah, já sei, me vê vida moderna urbaninha confortável – neon – mais IPADS – menos hidrelétricas  e carvão (que nojo!) – sem energia nuclear – energia de vento, sol, essas coisas – mais direitos socais – mais mantra ligações de harmonia e paz entre todos – menos pobreza – sem violência – menos cidades interioranas e mais metrópoles – mais tecnologia, luzes, trecos e tal – menos fundamentalismo religioso e menos trabalho também, quem gosta, né?

O sujeito quer sim um mundo diferente, pero no mucho. Ele acredita mesmo, e nisso em geral há mais romantismo do que cinismo, que a expansão das qualidades advindas com a com a modernidade, a expansão do ideal burguês de vida, sofá, televisão, ar condicionado, liberdades individiduais, séries americanas, pode ser desconectadas de seus malefícios, da competição, ganância, da poluição, dos genocídios sociais. A idéia é que  futuro é igual ao presente subtraído os elementos negativos. Assim, vivo num susto atrás do outro. Ontem (já faz uns meses) vi um comentarista do jornal da noite do SBT justificar que a fragilidade dos acordos estabelecidos na Rio + 20 estaria no fato de que atualmente estamos vivendo uma terrível crise econômica. Arremata ele, como se dissesse algo digno de ser falado, que a preocupação com a economia impera e, por isso, os países não tem tempo para a questão do meio ambiente, ou coisa que o valha… Ora bolas, é o fim do mundo. Foi só por afirmações como esta que me interessei pelo debate ambiental. Aí está em estado bruto a imagem fetiche bibelô do meio ambiente como uma preocupação estética da classe média bacana. O marxistão Istvan Meszáros em uma citação genial diz que as instituições de proteção ambiental deveriam ser chamadas de “ministérios de proteção das amenidades da classe média”. A questão ambiental diz dos fluxos de energia, dos ciclos de transformação da matéria, as cadeias de interação entre a atividade humana e o ambiente, seus efeitos, danos, consequências.

Certamente quem pensa que em tempos de crise econômica não dá para se preocupar com meio ambiente, deveria parar de beber água, defecar e recarregar a bateria do seu Ipad. Na rede Globo, no jornal da noite, ao falar do fim da cúpula dos povos o jornalista entrevistava um gari que disse que ao limpar o aterro do flamengo, onde deveria haver apenas pessoas “conscientes” e mi mi mis, foram encontradas muitas guimbas de cigarro jogadas no chão, guimbas que demoram alguns 2000 anos para se decompor. O jornalista, William Waack, o iluminado, poderia ter completado seu raciocínio deveras radiante da seguinte maneira: “Esses maconheiros bicho-grilo vem para cá, com dinheiro do governo, sujam tudo, ficam falando bla bla bla para pegar mulherzinha, mas continuam poluindo com as pessoas “normais”, então para quê vieram?”.

Fui a algumas palestras e andei muito pelo aterro do flamengo nesses dias de encontro. Impressiona a diversidade de posturas, de modos de ver as coisas e de se posicionar neste debate. Enquanto vemos o Sebrae com 16 barulhentos geradores movidos a combustível para manter o ar refrigerado no seu interior, temos tribos indígenas vendendo autênticas pinturas de seus povos por 3 R$. Não me incomodo nenhum pouco com o fato dos indígenas venderem pinturinhas de corpo, o que me tirou do sério foi o fato do alojamento das tribos indígenas ter sido no sambódromo, em péssimas condições de instalação e higiene. Mas o que mais me incomodou no evento é a incapacidade e a fraqueza de se colocar em discussão as questões chaves, de trazer as situações concretas para o debate. Se o meio ambiente NÃO é um problema fetiche, mas sim uma questão central na manutenção da vida, posto que não há vida sem água, ar, terra, então toda forma social de vida está intrinsecamente ligada a este debate. Então se você aí, “da poltrona” acha lindo viver em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Londres, Nova York, Belo Horizonte, Conceição do Mato Dentro, e ainda mais, acha que todos devemos viver assim, deveria pensar muito bem no quê isso significa. Porque se há “crise” ambiental, há causalidade na ação humana, ação que se dá num contexto cultural  e político. Se a pessoa vem para um debate, se ela abre a boca pra falar “meio ambiente”, é porque considera que há causação humana. Havendo essa relação causal, fico pensando que construção narrativa se passa na cabecinha de cada um desses ambientalistas moderninhos que ficam falando de Seattles e Chiapas. Não tenho dúvida que imaginam Hippies vivendo em “Blade Runner”. É como se sociedade e pessoa fossem coisas desconectadas. Muita solidariedade entre os povos, uma gotinha de “Avatar” aqui, vai, muitas máquinas, pouca dominação, etc… O mito de que o homem vai dominar todos os efeitos, vai controlar tudo e continuar sendo um cara legal está aí, deitado na cama, morto, pronto para ser exumado. Acho esse tipo de mentalidade fascinante. Fascinante sim. A dissociação completa e total de sujeito e história, de pessoa e sociedade. A realização completa do homem do iluminismo sob o manto abençoado do primitivismo solidário. O sujeito crê que a sua identificação imaginária com a causa rompe todos os grilhões da opressão social e ambiental real que permitem a ele ter água, comida, ar, um MAC, um Iphone. Não vê que ele é parte do problema. Não vê problema. Não companheiro, não precisa se charafundar na lama da culpa burguesa. Mas por favor, menos cinismo, menos certeza. Ao menos ajude a encaminhar as coisas de outo jeito, pensa rapaz, se aprume!  Acho que aqueles que só conseguem imaginar uma vida do modo como temos nas grandes cidades deveriam pensar um pouco mais, só um pouco.

Não que a “culpa” da poluição seja exclusivamente da manutenção das metrópoles ou algo do gênero. Pego esse exemplo, por algumas razões. Muitos dos grupos ambientalistas e dos ativistas moram e vivem nesses grandes centros. O local de moradia de uma pessoa, de uma cultura, de um povo é fato indissociável de sua relação com os recursos naturais, seja uma tribo do Xingu, uma população ribeirinha do interior do país, ou um grupo de jovens amigos libertários de uma megalópole.

Se a crise ambiental decorre do padrão de produção e de consumo de bens de uso como então mudar tais padrões? Quais são as condições determinantes da vida moderna, quais são as ligações essenciais entre modernização e injustiça social, ambiental? É possível ter crescimento econômico nos moldes que temos vista com uma maior igualdade entre povos, considerando que cada cultura e povo entra nessa dança de um jeito?

Nesses dias de Rio + 20, entre cervejas no fim da noite, um grande amigo, o Patrão me contou uma coisa. Ele disse que em suas palestras joga para o público um gráfico no qual apresenta vários países a partir de dois eixos. No primeiro temos índices sociais relativos à saúde, educação, trabalho, e no outro, o nível de destruição e degradação do meio ambiente. Ele então me disse que apenas um país apresenta elevado índice tanto de indicadores sociais como de baixíssima degradação ambiental.

Em tom de charada que é impossível descobrir, ele me perguntou qual era este país. Claro que eu errei.

Published in: on 19/12/2012 at 18:09  Comments (1)